ANO: 25 | Nº: 6312

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
25/09/2017 Caderno Minuano Saúde

Setembro Violeta: conscientização sobre o Alzheimer

Foto: Divulgação

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A doença de Alzheimer é irreversível e se agrava ao longo do tempo, mas pode ser tratada. Apresenta sintomas como a perda de memória e comprometimento da orientação, atenção e linguagem, causadas pela morte de células cerebrais. Quase todos os pacientes são idosos, talvez, por isso, a doença tenha ficado erroneamente conhecida como ‘esclerose’ ou ‘caduquice’, conforme esclarece a médica neurologista Cibele Foletto Lucas.
A terapia permite melhorar a saúde, retardar o declínio cognitivo, tratar os sintomas, controlar as alterações de comportamento e proporcionar conforto e qualidade de vida ao idoso e à família. A doença foi descrita, pela primeira vez, em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam, no mundo, cerca de 35,6 milhões de pessoas com a doença de Alzheimer. No Brasil, seriam 1,2 milhão de casos. Existe uma relação inversamente proporcional entre a prevalência de demência e a escolaridade. Nos indivíduos com oito anos ou mais de escolaridade, a prevalência é de 3,5%, enquanto que, nos analfabetos, é de 12,2%.
O dia 21 de setembro foi o Dia Mundial de Combate ao Alzheimer. Por isso, nesta edição, a médica neurologista Cibele Foletto Lucas fala sobre a doença e a forma de diagnosticá-la.

Sintomas e tratamentos
Como é uma doença evolutiva, os sintomas do Alzheimer vão aparecendo gradualmente, conta a médica. “Há os sintomas iniciais, e, é claro, que não necessariamente devem existir todos os sintomas. O importante é os familiares estarem atentos para as mudanças de comportamento dos idosos e procurarem um médico para que o diagnóstico precoce seja feito e se inicie o tratamento o mais breve possível”, explica.
Segundo a neurologista, a doença de Alzheimer não é a continuação do envelhecimento normal ou sua acentuação. “As razões para a dificuldade de memória nos dois grupos são diferentes e uma pesquisa cuidadosa neste sentido pode esclarecer este ponto”, completa.


Sintomas do declínio de funções intelectuais
• Esquecimentos caracterizados por repetições e reações de surpresa diante de fatos já citados ou vividos;
• Falta de atenção e dificuldade de concentração que interfere na compreensão;
• Confusão e desorientação no tempo e espaço;
• Perda de autonomia associada à dificuldade de planejamento, organização e execução das atividades;
• Prejuízos na linguagem, com perda de palavras ou dificuldade para se expressar;
• Perda da capacidade de tomar decisões e de realizar tarefas cotidianas.
Outros sintomas são as mudanças de comportamento e humor, caracterizadas por:
• Agressividade, agitação e insônia;
• Apatia, inatividade, depressão ou isolamento;
• Inadequação social ou desconfiança intensa.

Cibele informa que o mal de Alzheimer acomete com maior frequência pessoas com 60 a 85 anos de idade. “Cerca de 5% das pessoas com idade entre 65 e 74 anos têm a doença, mas quase a metade das que têm 85 ou mais são acometidas”, ressalta.
A médica salienta que existem dois tipos de doença de Alzheimer: a doença familiar, que ocorre em adultos jovens (relatada no filme "Para sempre Alice") e parece ter um caráter hereditário importante; e a forma esporádica, na qual o fator hereditário não é obvio, que é demonstrado nos filmes "Diário de uma Paixão" e "Conduzindo Miss Daisy".
As mulheres parecem ser mais atingidas por esta doença, destaca a neurologista, porém como a expectativa de vida das mulheres é maior, não se sabe se o risco está no gênero ou no fato delas viverem mais do que os homens.
“Vale ressaltar que a família tem que estar atenta a pessoas acima de 60 anos com esquecimentos repetitivos, que perguntam várias vezes a mesma coisa, contam várias vezes a mesma história, ou com mudanças no comportamento. Se alguém da família estiver assim, vale a pena fazer uma avaliação para monitoração da memória, pois o diagnóstico precoce e o início do tratamento, também precoce, são importantes”, completa.

A neurologista explica que o diagnóstico da doença de Alzheimer é feito baseado em quatro aspectos:
• História clínica: ainda é o principal instrumento utilizado e se dá a partir da forma de início e da progressão dos sintomas. Por ser uma demência de predomínio amnéstico, a dificuldade de memória em geral é o sintoma mais predominante no início da doença.
• Testes cognitivos: testes simples realizados pelo próprio neurologista (miniexame do estado mental) ou uma bateria de testes neuropsicológicos (feitos por psicóloga), conforme a avaliação da necessidade do médico para o diagnóstico.
• Exames de neuroimagem: permitem avaliar a estrutura do cérebro e suas alterações. São úteis, também, para descartar outras causas do esquecimento.
• Exames laboratoriais: feitos para descartar outras causas de demências.

Cuidados com os pacientes

Cuidar de um paciente com Alzheimer requer paciência, carinho e muita atenção, destaca a médica.

Cibele dá dicas importantes para diversas situações:

Vestuário
• Tenha calma e permita um tempo maior para o paciente se vestir;
• Deixe o paciente escolher qual roupa ele quer vestir;
• Se ele gosta muito de uma peça de roupa e se recusa a usar outra, compre várias peças parecidas com a que ele gosta;
• Utilize roupas que são fáceis de vestir ou retirar.

Segurança
• Tente deixar o mundo do paciente mais simples;
• Bloqueie o acesso a escadas para que ele não sofra acidentes;
• Mantenha as portas com acesso para o exterior trancadas;
• Coloque no paciente objetos de identificação (placas, pulseiras) com telefone de contato da família;
• Feche com chaves os armários que possuem substâncias perigosas e coloque os remédios em um local que o paciente não tenha acesso;
• Consulte o médico caso perceba que o paciente tem dificuldade de caminhar ou risco de quedas;
• Mantenha as chaves do carro escondidas.

Ambiente
• Evite usar toalhas de mesa e de banho com muitos desenhos, prefira padronagens lisas;
• Retire todos os tapetes do caminho;
• Deixe iluminação de segurança no caminho entre a cama do paciente e o banheiro durante a noite toda;
• Evite camas muito altas;
• É comum o paciente esquecer onde deixa objetos, por isso evite deixar objetos importantes ou muito dinheiro com ele;
• Não jogue fora o lixo sem examinar seu conteúdo;
• Faça uma indicação clara, escrita ou com desenho de onde é o banheiro.

Alimentação
• Dificuldade na alimentação do paciente devem-se principalmente a dois fatores: dificuldade motora ou de reconhecimento dos alimentos e objetos. Tente identificar a causa;
• Sirva as refeições no mesmo horário todos os dias;
• Sirva comidas com diferentes cores e texturas. Dê preferência para as que o paciente gosta;
• A mesa deve ser um ambiente calmo e agradável para o paciente;
• Coloque os talheres necessários ao lado do prato;
• Permita um longo tempo para ele comer, não o apresse;
• O paciente pode perder a capacidade de utilizar os talheres sozinho, ajude-o apenas no que for necessário.
• Sempre fique atento a mudanças de peso do paciente;
• Informe o médico se perceber que o paciente tem dificuldade para deglutir.

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