ANO: 25 | Nº: 6406

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
26/09/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O legado do Setembro Amarelo

Setembro está acabando e não posso deixar de mencionar o quanto foi intensa a campanha de combate ao suicídio. Setembro Amarelo deve deixar alguns aspectos marcantes para aprofundar o pensamento em qualquer época do ano, embora muito tenhamos ainda a crescer no sentido da conscientização e prevenção.

Chamar atenção para o tema, suas complicadas nuances e detalhes negativamente surpreendentes é o objetivo geral da campanha, além de combater o preconceito, superstição, ideias equivocadas e antiquadas acerca de toda a problemática do sofrimento psíquico emocional.

Combater o suicídio é prestar atenção em muitos aspectos que antecedem o desejo de pôr um fim em tudo o que incomoda e dói. Aspectos estes que podem estar escondidos sob um pseudotraço de personalidade, uma mania, um jeito de ser... Na verdade, ali encoberto, cuidadosamente por uma forma extrovertida ou excêntrica de ser, pode existir, e até mesmo gritar, um pedido de auxílio, um desejo de ser amparado e socorrido.

Por todos estes motivos é tão importante saber que a maioria das situações que envolvem o desejo de acabar com a própria vida é tratável e curável com ajuda adequada, tratamento psiquiátrico e psicológico. Precisamos evoluir nossa maneira de ver e encarar as coisas de modo que fazer terapia e usar medicamento de ação psicotrópica não seja mais chocante que desejar parar de viver; que admitir que depressão não seja mais motivo de constrangimento e, sim, motivação para receber apoio respeitoso, não piedade nem condescendência.

Finalmente, que setembro deixe marcado que há muitas formas de dar continuidade a esta campanha, como consolidar a necessidade da busca por auxílio sempre que a dor da alma for intensa e perdurar. A prevenção, neste caso, também é buscar qualidade de vida através da mudança de padrões de comportamento, aceitação dos próprios limites, procurar felicidade nas pequenas coisas da vida, cultivar vínculos afetivos e a vivência em comunidade que proporcione sentido à individualidade.

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