ANO: 25 | Nº: 6236

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
27/09/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

A vergonha da desigualdade

Na segunda-feira, a Oxfan, uma Organização Não Governamental internacional que atua para combater a pobreza e a desigualdade em todo o mundo, publicou um relatório sobre o Brasil. Neste relatório, está estampada uma das coisas que mais nos envergonha: O Brasil é um dos 10 países mais desiguais do mundo, tendo avançado neste ranking 19 posições no ranking em 2016.
Segundo estudo, as seis pessoas mais ricas do Brasil (Jorge Lemann, Joseph Safra, Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saverin e Ermínio de Moraes), possuem, juntas, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do Brasil, ou seja, 50% da população brasileira. O mesmo estudo revelou que os 5% mais ricos detém a mesma fatia de renda que os outros 95% da população. Os dados seguem, e sabemos, através do estudo, que os super ricos (0,1% da população) ganham em um mês o que os brasileiros que recebem salário mínimo (23% da população) ganham em 19 anos seguidos de trabalho.
O trabalho indica, também, que o Brasil estava avançando no rumo da correção das desigualdades. Segundo a diretora executiva da entidade, Katia Maia, programas sociais, como o Bolsa Família, estavam ajudando a diminuir as diferenças, mas mesmo esses programas ainda não eram suficientes. A medida sugerida pela entidade é a alta taxação dos muito ricos e a reversão da decisão de congelar os gastos públicos, que, segundo ela, constrangerá as políticas de inclusão social, mesmo que sejam tímidas.
O estudo inteiro da Oxfan pode ser acessado aqui (https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/arquivos/Relatorio_A_distancia_que_nos_une.pdf), mas, fundamentalmente, ele diz o que os partidos de esquerda têm dito sobre o nosso país. Trata-se de uma sociedade extremamente desigual, que reproduz uma lógica de desenvolvimento que gera cada vez mais desigualdade. Enfrentar isso não é fácil e exige uma autoconsciência dos pobres para que apoiem políticas e políticos capazes de reverter essa situação.
Não é à toa que o país caiu 19 posições no ranking no ano em que Dilma foi derrubada e Temer tomou posse. Não é à toa que a PEC do teto dos gastos tenha sido a primeira proposta do governo golpista, aprovada por uma descarada maioria parlamentar no Congresso Nacional. E não é à toa, também, que no âmbito dos estados, a conduta governamental seja a de punir os servidores com parcelamento de salários enquanto beneficiam os grandes empresários através da tentativa de privatizar as empresas públicas, como faz Sartori.
Se nada for feito para retomarmos o caminho do combate às desigualdades, que vinha sendo trilhado com dificuldades pelos governos de Lula e Dilma, o Brasil e o Rio Grande serão tragados por uma situação que, além de vexaminosa será sempre uma bomba prestes a explodir. Porque, como diz a diretora da Oxfan, “os níveis de desigualdade no Brasil são inaceitáveis”.

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