ANO: 25 | Nº: 6399

Sidimar Rostan

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Editor de política e comentarista da coluna Fogo Cruzado. Jornalista, é especialista em Comunicação e Política e subeditor geral do Jornal Minuano.
27/09/2017 Sidimar Rostan (Editorial)

Pela valorização do patrimônio cultural

O Analista de Bagé precisa retomar a carreira na psicanálise. Trabalho não falta, especialmente em sua ‘terra natal’. Afinal, uma estátua de concreto não pode administrar a terapia do joelhaço; muito menos dobrar pacientes ao meio, antes de conduzi-los ao divã coberto com pelego. Obras de arte instaladas em locais públicos, como presentes para uma população inteira, demandam apenas consciência. O discernimento, porém, tem passado longe da Praça da Estação.

O clima, no consultório do Analista, é de deixar qualquer artista ‘mais nervoso que gato em dia de faxina’. Sérgio Coirolo nem bem havia concluído o processo de recuperação do conjunto de esculturas que entregou ao município, em 2016, quando tornou a se deparar com os efeitos das depredações. As marcas dos atentados de segunda-feira, já eliminadas, não deixaram assinatura. Não fazem, de fato, qualquer sentido, enquanto discurso, embora não sejam efetivamente vazias em termos de representação. Elas exprimem, infelizmente, toda a brutalidade do desconhecimento. 

O trabalho de Coirolo foi inaugurado em uma data simbólica para o analista pouco ortodoxo, quando o personagem idealizado pelo escritor Luis Fernando Veríssimo, e por ele batizado com o nome da maior cidade da Campanha gaúcha, completava 35 anos. Mas as representações da secretária Lindaura e do próprio Veríssimo são, hoje, testemunhas silenciosas de um desconcertante processo de desvalorização da cultura. Não existe justificativa para o vandalismo, principalmente quando empreendido contra um símbolo do humor. A depredação não tem graça; tem custos que superaram a dimensão econômica, dilapidando o principal patrimônio de uma cidade: o cultural.

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