ANO: 25 | Nº: 6256

Fernando Risch

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Escritor
29/09/2017 Fernando Risch (Opinião)

O ciclo do orgulho

Os livros de autoajuda e as religiões tentam nos ensinar alguns fundamentos interessantes para a vivência cotidiana. Lições de amor, paciência e devoção, seja pela sua família, pelo sistema financeiro ou a Jesus Cristo; as variáveis beiram o infinito. Essas lições geralmente tentam fazer com que o ser humano não seja ser humano, seja uma espécie de semideus, incapaz de seguir sua natureza.

Já recebi muitas lições sobre o orgulho. Não o orgulho de se orgulhar por um feito, o orgulho de ter algo entalado na garganta e não se ajoelhar para aquele que, nas nossas cabeças, é nosso inimigo. Sempre que me lecionaram sobre o orgulho, falaram que eu deveria rompê-lo, esquecer o passado e abraçar o algoz em um pedido de perdão, mesmo que este adversário fosse aquele que deveria te pedir desculpas.

O orgulho é cíclico e traz sinais de seu aparecimento. A única lição válida a se dar sobre o orgulho é saber quando um ato o gerará e evitar que isso aconteça. Depois que ele aparecer, só será quebrado após um ciclo longo. E ele não demora a aparecer. Dois dias sem um pedido de desculpas por algo, dois dias sem nenhum dos lados sequer se falar e o orgulho se forma. É rápido, brutal e não morre. E quanto mais se demora, mais ele cresce, mais o vácuo entre as partes se distancia e se expande, fazendo com que uma infinidade de emoções e momentos sejam perdidos, até que os dois lados se empedrem em concreto, cada um em seu canto, esperando pelo outro uma reparação. E ela não vem.

Então anos se passam, literalmente anos. Os lados se cruzam, esquecem por que se desentenderam e voltam a um sentimento original – tão forte ao ponto de em uma ruptura criar o orgulho – e o orgulho se quebra em um abraço, e talvez em lágrimas. E quando se pensa em tudo que se perdeu, parece simples a resolução dos problemas, mas o orgulho é assim, é cíclico e seu ciclo é demorado. Só um sábio ou um idiota conseguem se curvar contra ele antes do seu fim.

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