ANO: 24 | Nº: 6084

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
30/09/2017 Airton Gusmão (Opinião)

A obediência que brota da fé

O texto que nos é narrado neste domingo traz a parábola dos dois filhos que acabam tendo ações diferentes diante da proposta do Pai (Mt 21,28-32). O primeiro, convidado pelo pai a trabalhar na vinha, respondeu: “não quero”; depois reconsiderou e acabou indo. O segundo filho, primeiramente, disse “Eu irei senhor”; no entanto, acabou não indo trabalhar na vinha. Logo após contar esta parábola, Jesus pôs a seguinte questão às autoridades judaicas: qual dos dois fez a vontade do Pai? Sem nenhuma dúvida, os chefes judaicos e anciãos responderam: “o primeiro”. Diante desta resposta, Jesus advertiu: “Em verdade eu vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (v.32). Que mensagem nos traz esta parábola? O que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus?
Fazer a vontade de Deus era o eixo de toda a religião judaica. Os chefes judaicos acreditavam que cumprindo a lei fielmente estariam realizando plenamente a vontade de Deus. Com esta parábola Jesus os adverte que o cumprimento da lei sem a acolhida do enviado de Deus, equivale a um sim meramente verbal, desmentido pela rejeição a Ele. A partir do Novo Testamento a obediência a Deus passa pela fé em Jesus; por isso, os publicanos e pecadores são, agora, parte da família de Deus porque acreditaram naquele que ele enviou, diferentemente dos chefes judaicos que se achavam justos diante de Deus somente por cumprirem a lei.
A parábola nos ensina que, nesta lógica de Deus, mais importante que comportar-se bem, não provocar escândalos, é realmente cumprir a vontade do Pai. Muitas pessoas acham-se “justas” diante de Deus, simplesmente, por não fazerem mal a ninguém ou por manterem “boas intenções” em relação aos outros, na sua vida. Isto é bom, porém, há algo mais profundo, mais exigente que a parábola nos provoca, que é colocar-se a serviço do Reino com todas as consequências que isto requer. O Reino de Deus não cresce somente com boas ideias ou intenções, mas a partir de ações que levam adiante o projeto do Pai. Tantos foram os personagens bíblicos que entenderam isso e aderiram verdadeiramente a este projeto. Maria e José não somente acolheram a proposta de Deus, mas assumiram os seus riscos tendo que fugir para o Egito e depois, ao retornarem, mesmo passando por muitos desafios, prosseguiram no caminho do discipulado. Também João Batista, os Apóstolos e tantos outros (Oscar Romero, Irmã Doroty) que chegaram, até mesmo, dar a vida pelo Evangelho.
Diante disso, precisamos nos examinar se não caímos num cristianismo de “convenção”, se não estamos sendo “cristãos de registro”, ainda escravos do egoísmo, do comodismo, da falta de compromisso. Dizer “sim” a Deus não é somente ser batizado, crismado, participar de algum movimento ou pastoral, ir todos os dias à missa; claro que isto é válido, no entanto, de acordo com a parábola, todas estas ações devem nos conduzir a um verdadeiro empenho na vinha do Senhor, devem nos levar a vivência dos valores do Evangelho no dia-dia; caso contrário, seremos como o segundo filho, cheios de boas intenções, mas sem nenhuma implicação na construção de um mundo mais justo e fraterno. De que lado eu estou? Que resposta tenho dado a Deus, ao chamado que Ele me faz, todos os dias, para trabalhar na sua vinha?
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Lembramos que a partir do dia 3 de outubro, terça-feira, teremos a Novena na Comunidade Nossa Senhora Aparecida e, no dia 12, feriado nacional, a Procissão e Missa Festiva, neste ano celebrando os 300 Anos de Nossa Senhora Aparecida no Brasil e os 40 anos da Comunidade, lá na Vila Gaúcha. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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