ANO: 24 | Nº: 5959

José Carlos Teixeira Giorgis

jgiorgis@terra.com.br
Desembargador aposentado e escritor
30/09/2017 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

O café como lugar de cultura e ensino

Os cafés do passado, onde a gente se debruçava no balcão para sorver a infusão e ouvir os últimos fuxicos, tem hoje maior solenidade e grife mudados em mesas bem postas aonde se vai para o chá tarde, o lanche apressado, o jornal disponível; ou o diário encontro com amigos, oportunidade em que transitam vozes confusas e assuntos diversos.
Outrora nunca sonhado alguns hoje oferecem o comércio de livros e discos; às vezes trajes da moda; outros dispõem de caixa eletrônica para retiradas urgentes; gôndolas de revistas e jornais; mercado de doces; jogos virtuais; televisão em canal de esportes, enfim, cada proprietário exercita peculiar criatividade para atrair e manter clientes; e, claro, um bom cafezinho. Com saudade, recordo o entardecer no Piccolo Café em Punta em que o sorvo mergulhava com os pentagramas de Vivaldi ou Debussy enquanto o sol amarelava o oceano.
São também locais para autógrafos; breve representação teatral; declamações; palestras; exibição de pinturas; desfiles de figurinista local; mostras de esculturas.
Ainda há pouco, convidado pelo grupo de estudos dos jovens advogados bajeenses, fiz uma fala sobre assunto jurídico num café, tudo com generosa fruição e escuta.
Pois agora descubro que o lugar pode ser um importante ambiente para cultura e ensino com o uso de um métodoque através de diálogos e deslocamentos consegue aperfeiçoar assunto a se apropriar, técnica em voga em grupos corporativos, governamentais ou simplesmente comunitários: é o formato chamado “The World Café” que observa o seguinte rito:
Estabelecido o tema (problema ou caso concreto) formula-se pergunta relevante sobre dita matéria. Organizam-se grupos, definindo-se em cada um quem será o “anfitrião”, espécie de coordenador da turma. Discutida e respondida a pergunta a conclusão é escrita num longo papel que cobrirá a mesa como manta. Enquanto o anfitrião permanece ali, os participantes mudam (trocam) e se misturam aos outros grupos. Os anfitriões podem ser trocados cada vez, se assim se entenda. E desta forma se continua, sucessivamente, até três rodadas de mudanças, sempre deixando escrito o resultado na toalha da mesa. O papel onde estavam as três conclusões é colado na parede ou anteparo.Enquanto seguem os atos um formador (professor, palestrante) passeia entre as távolas observando as condutas, participação e interesse dos componentes. Finalmente um dos anfitriões lê os remates, o grupo discute o assunto e fecha um resultado que uniformize posições. Cada rodada demora vinte minutos.
O método, como se observa, exige a contribuição de todos, respeitando a vontade de cada um e logra vincular diversas perspectivas. No trajeto do trabalho surgem sempre ideias originais e as descobertas vão sendo compartilhadas.
A didática moderna exige métodos de integração, que despertem a curiosidade e desenvolvam comunicação eficiente e atrativa.
Tudo isso feito “segurando a xícara de fumegante moca”, como diria o poeta.

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