ANO: 24 | Nº: 6059

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
03/10/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Ética na escola e na vida

Muito mais que o capítulo da Filosofia que discorre sobre a moral e o modo de agir, ou seja, o caráter de cada um (do grego ethos), a ética tornou-se assunto em todas as esferas. Seja pelos maus exemplos que vemos diariamente nos noticiários do País, seja pela perplexidade ante a deturpação daquilo que aprendemos como imutável com nossos pais, este tema está na boca e na cabeça de todos. Embora alguns nem saibam que estão refletindo ou discutindo sobre o código de valores e ações que deve nortear a vida em sociedade, estão ponderando ou divagando, portanto, sobre ética. Mesmo alguns que de modo equivocado querem receber ações éticas sem jamais praticá-las no seu dia a dia, ainda assim o assunto é ética!
As crianças aprendem aquilo que enxergam os adultos fazendo e não aquilo que os adultos dizem para que elas façam. De nada adianta o discurso ser bonito, humanizado e até mesmo cristão e a prática cotidiana ser contraditória a esses princípios. Sendo assim, trazer para dentro do espaço escolar a discussão sobre coerência no modo de agir é de suma importância.
Repensar e refletir sobre o modo correto de agir consigo e com os outros não sai de moda e enriquece o currículo de qualquer um. Uma educação formal repleta de experiência e conhecimento se esvazia diante de uma ação que desrespeita os limites alheios, sejam eles morais, afetivos, profissionais e pessoais.
É preciso pensar que a ética que queremos nas esferas mais elevadas do poder precisa habitar nossas ações diárias ainda hoje. Precisamos povoar de pensamentos sobre ética nossas atitudes com colegas, familiares, amigos, todos com quem convivemos. Também é necessário passar por este filtro as novas práticas como a utilização das mídias e a tecnologia em nossas relações.
Talvez o primeiro passo para uma sociedade mais ética seja uma escola que debate e exercita com seus educadores a importância de se ter limites claros entre o certo e o errado. Equipe treinada e afinada para não cair nas principais armadilhas que acabam corrompendo os princípios éticos como a preguiça e a crença de que os fins justificam os meios. Aquilo que não queremos para nós não devemos impor aos outros. Não podemos esperar tratamento diferente daquele que dispensamos aos demais, principalmente aquele que não pode nos proporcionar nenhuma vantagem. Evidenciar aos jovens que o certo continua a ser o mais correto a fazer mesmo que ninguém esteja vendo; isso é praticar ética. Porque afinal de contas, as crianças presenciam o modo como os adultos escolhem agir e é isso o que elas vão imitar por toda a vida. Que modelos estamos criando para o futuro?

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