ANO: 25 | Nº: 6210
05/10/2017 Segurança

Dupla é condenada por morte de jardineiro

Foto: Antônio Rocha

Réus foram condenados
Réus foram condenados

Marcus Diego Brignol Vaz, 30 anos, e Jonatan Cláudio de Oliveira, 23 anos, foram condenados, na terça-feira, pela morte do jardineiro Paulo Matias Ornelas Thomaz. O crime ocorreu em outubro de 2015, na rua Floriano Bitencourt, bairro Getúlio Vargas. Vaz foi condenado a 14 anos de reclusão, em regime inicial fechado. Oliveira irá cumprir 12 e seis meses. Eles não podem recorrer em liberdade.
Os jurados condenaram os dois. A juíza Naira Melkis Caminha determinou o tempo de prisão devido o crime ter sido praticado mediante recurso que dificultou a defesa (uma vez que o executor se aproximou da vítima e desferiu disparos de arma de fogo contra ela, em momento e local em que não esperava ser alvejada, não podendo, desta forma, esboçar qualquer reação defensiva), motivo torpe (por uma briga entre apenadas) e por uma qualificadora, por ter sido mediante pagamento.
Conforme a denúncia, Vaz ordenou a execução do crime por vingança, uma vez que pretendia que as apenadas Raquel Portella Nogueira e Aline Portella Nogueira concedessem tratamento diferenciado para sua companheira, Maxcidele Mendes da Silva, à época, recém-chegada no Presídio Regional de Bagé (PRB).
Entretanto, tal situação não ocorreu, sendo que Maxcidele teve desentendimentos de ordem pessoal com as demais apenadas. Em razão disso, Vaz, em retaliação, mandou que o executor fosse até o local do crime (residência dos genitores de Raquel Portella Nogueira e Aline Portella Nogueira) e matasse alguma pessoa que lá estivesse.
O assassinato foi tratado, pela polícia, como uma execução. A vítima, encontrada dentro da casa de amigos, foi alvejada com dois tiros. Segundo o registro feito pela Brigada Militar, havia outras pessoas na casa, onde estavam fazendo um churrasco. O autor atirou contra a vítima e saiu do local.


Depoimentos
Três policiais civis e um agente penitenciário foram ouvidos, na terça-feira, sendo testemunhas de acusação. Uma testemunha de defesa arrolada pelo defensor público de Jonatan Cláudio de Oliveira também foi ouvida.
Dois policiais responsáveis pelo inquérito relataram que começaram a investigação na noite do crime. Um deles relatou que o homicídio foi um engano, já que a execução ordenada pelo apenado Vaz seria a de um parente das irmãs que estão presas, e que não teriam dado proteção a sua esposa. O agente de segurança disse que Oliveira matou Thomaz por engano, pois chegou em um dia que estavam fazendo um churrasco.
O policial civil também reiterou que uma testemunha reconheceu Oliveira e as roupas que ele usava quando foi preso (um moletom vermelho, uma bermuda e um boné). O acusado foi preso 10 dias depois, preventivamente, em uma casa abandonada, e, em depoimento para a polícia na época, afirmou que havia matado a vítima e que iria receber R$ 1 mil para o serviço. Ele informou que foi Vaz que ligou e o contratou. Testumunhas do crime, na epóca, contaram que o acusado pegou carona em uma motocicleta para fugir do local do crime.
O investigador da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) foi ouvido, também, e contou que investiga os crimes de Vaz, pois ele também é condenado por tráfico de drogas. Em várias situações, o policial da Defrec salientou que a voz de Vaz aparecia nas gravações telefônicas e que a conversa com a apenada Raquel foi gravada. Nela, o acusado ameaça matar alguém da família de sua se não protegesse Maxcidele, sua esposa.
O agente relatou que o preso tem várias influências com outras facções e que mandou dois adolescentes à região metropolitana para executar um policial militar, um policial civil e um agente penitenciário, sendo que dizia que agora ele não era apenas traficante, também mandava matar. O policial também informou que no dia do crime, encontraram com o acusado um telefone celular e ouviram a gravação da apenada Raquel, onde ele a ameaçava. No momento que pegaram o telefone, o condenado disse que já tinha mandado matar um e que mataria mais pessoas. Os três agentes ouviram esta informação.


Interrogatórios
Oliveira começou falando. Ele negou o envolvimento, dizendo que no dia do fato estava na casa de uma ex-namorada. O acusado disse que não conhecia Vaz e que conhecia a vítima, Thomaz, com quem já teve um desentendimento, mas, segundo ele, nada que o fizesse matá-lo.
Oliveira disse, ainda, que não confessou o crime, quando foi preso, e que foi agredido pelos policiais, que eles só questionaram sobre a arma e o telefone, sendo o chip do celular apreendido. O réu afirmou que ficou sabendo do crime por um amigo. Ele ainda sustentou que, naquela noite, dormiu na casa da ex-namorada. No depoimento, ela disse que ficou sabendo da morte de Thomaz somente no outro dia, e que o acusado do crime não posou em sua casa, indo embora antes da meia-noite. A sogra também disse que ele não posou na residência.
A testemunha que o reconheceu contou, em juízo, na audiência de instrução, que sofreu ameaças do acusado e que inclusive deixou o trabalho. Oliveira disse que não conhecia a testemunha e que nunca a fez ameaças. O réu já foi preso por posse de entorpecentes.
Vaz foi ouvido no início da tarde. Ele negou ter mandado matar a vítima, dizendo que o telefone que encontraram não era dele. Também disse que não ameaçou pessoas de morte e chegou a solicitar um exame de reconhecimento de voz.
Ele disse que o agente penitenciário que foi ouvido o perseguia e persegue sua esposa, Maxcidele, no Presídio Regional de Bagé (PRB), deixando ela de castigo durante 30 dias consecutivos, prorrogando por mais 30 e mais um mês. Também disse que ele protegeu uma apenada que agrediu Maxcidele.
O acusado contou que não conhece Oliveira e que nunca falou que iria mandar matar ninguém. Vaz é condenado por tráfico de drogas há 63 anos, sendo que já cumpriu sete anos. Atualmente ele está na Penitenciaria de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). Na época do crime, estava no PRB.

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