ANO: 25 | Nº: 6385
06/10/2017 Cidade

Sindicatos dos Correios realizam assembleias para decidir rumo da greve

Foto: Tiago Rolim de Moura

A greve dos Correios entra, hoje, no seu 17º dia. Até o fim da tarde, em todo o País, mais de 30 sindicatos que representam trabalhadores da empresa realizarão assembleias para decidir se aceitam o acordo coletivo apresentado, nesta semana, pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Deflagrada na noite de 19 de setembro, por tempo indeterminado, a greve iniciou, principalmente, em virtude do fechamento de agências em todo o País, do plano de demissão voluntária e da possibilidade de privatização dos Correios. A categoria também reivindica a realização de concurso público. Em Bagé, a mobilização parcial iniciou no dia 21 de setembro, quando um grupo de 15 carteiros se mobilizou em frente à agência central da empresa.
O acordo do TST propõe o reajuste de 2,07% nos salários e benefícios retroativos ao mês de agosto, além da manutenção de cláusulas sociais e do plano de saúde, até julho de 2018.
De acordo com o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS), Henrique Morales, a partir das 16h, a categoria realizará uma assembleia no prédio da subsede de Pelotas, onde votarão sobre a aceitação da proposta. O sindicalista afirma que se 22 sindicatos aprovarem o acordo, a categoria voltará a trabalhar na segunda-feira.
Na manhã de ontem, cerca de 50 pessoas aguardavam no setor de entrega, em Bagé. O aposentado, Ângelo César Marques, 62 anos, conta que apoia a greve, mesmo sabendo que está sendo prejudicado por ter que esperar numa fila para retirar seus documentos e contas.
Já a dona de casa Dalva Borges Pereira, 72 anos, afirma ser contra a mobilização, pois acredita que os carteiros deveriam procurar alternativas que não prejudicassem a população. Dalva conta que esse é o terceiro dia que foi aos Correios, pois está esperando uma encomenda de Porto Alegre. A idosa revela que, nesses dias, em média, passa 30 minutos esperando para ser atendida. Dalva salienta que sempre nota a presença de pessoas com crianças de colo e idosos.


Concurso anunciado
Entre as principais demandas apontadas pela greve dos trabalhadores dos Correios, está a realização de um novo concurso público. Os Correios divulgaram, ontem, o edital de concurso público para 88 vagas e formação de cadastro de reserva em cargos de níveis médio, técnico e superior para os setores de medicina e segurança do trabalho. Os salários vão de R$ 1.876,43 a R$ 4.903,05.
A organização do concurso ficará a cargo do Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades). As vagas estão previstas para Porto Alegre e mais 26 cidades de todos os estados do Brasil, com exceção do Mato Grosso. Provavelmente, a prova será aplicada o dia 26 de novembro, no turno da tarde, com duração de quatro horas.
Segundo os Correios, a seleção tem como objetivo repor o quadro de profissionais técnico-especializados, em cumprimento às exigências de norma regulamentadora do Ministério do Trabalho. Essa norma estabelece, dentre outros critérios, a exigência legal mínima de um quantitativo de cargos para compor o Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da empresa.

Intervenção aos Correios
Na quarta-feira, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) decretou intervenção no Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis), “por descumprimento de normas relacionadas à contabilização de reservas técnicas e aplicação de recursos”.
A decisão foi publicada no Diário Oficial e tem prazo de 180 dias. Foi nomeado como interventor do fundo de pensão dos funcionários dos Correios Walter de Carvalho Parente, que já fez o mesmo trabalho no fundo de pensão Serpros.
O Postalis é investigado na CPI dos Fundos de Pensão e, em abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou prejuízo de mais de R$ 1 bilhão no fundo, decretando o bloqueio de bens de ex-diretores.

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