ANO: 23 | Nº: 5764

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
07/10/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Ajuda sempre

“Então Paulo respondeu: que fazeis chorando e triturando o meu coração? (...)”
Uma das passagens mais dramáticas nos Atos dos apóstolos é aquela em que Paulo de Tarso se prepara à frente dos testemunhos que o aguardavam em Jerusalém.
Em seu espírito nenhuma hesitação. No entanto, os companheiros choram e se lastimam; e, do coração sensível e valoroso do batalhador do Evangelho, flui a indagação dolorosa.
Mesmo vigorado pela energia serena que lhe domina, Paulo sentia falta de amigos tão corajosos quanto ele mesmo.
Do ponto de vista científico, segundo a revista Superinteressante, as lágrimas comovidas dos companheiros de Paulo de Tarso são praticamente as mesmas que derramamos quando estamos cortando uma cebola e ficamos com os olhos irritados. Elas não passam de gotinhas produzidas pela glândula lacrimal e formadas por três camadas: uma película de gordura, mais externa, envolvendo o recheio de água, que fica sobre um filete de muco. São assim, também, as lágrimas lubrificantes ou basais, que servem para umedecer, nutrir e limpar a córnea, fabricadas numa média de um ou dois microlitros por minuto (1 microlitro equivale a 1 litro dividido por um milhão).
No entanto, o que mais intriga os cientistas em nossos dias sãos as lágrimas emocionais, exclusividade dos seres humanos: as lágrimas que são vertidas quando choramos para expressar algum sentimento.
Ao que parece, para os estudiosos, o choro apareceu há uns cinquenta mil anos, simultaneamente à linguagem falada. Milênios mais tarde, apareceu o choro de doação de ajuda, que requeria estados psíquicos mais evoluídos e, sobretudo, empatia – a faculdade mental e emocional de se colocar no lugar do outro.
Quando nos deparamos com um companheiro de jornada em dificuldade, trazemos, instintivamente, as lágrimas de piedade, no entanto, é necessário que tenhamos empatia, ou seja, nos coloquemos no lugar do outro que enfrenta as piores provas. Assim, verificaremos que o pranto e a lamentação jamais ajudam nos instantes de testemunho difícil e é imperativo que ajudemos o próximo.
Para Emmanuel, “quem chora ao lado de um amigo em posição perigosa desorganiza-lhe a resistência.” O benfeitor amigo esclarece que “Jesus chorou no Horto, quando sozinho, mas, em Jerusalém, sob o peso da cruz, roga às mulheres generosas que o amparavam a cessação das lágrimas angustiosas. Na alvorada da ressurreição, pede a Madalena esclareça o motivo de seu pranto, junto ao sepulcro”.
Já ouvimos do espírito Michel, em 1862, conforme consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, que a piedade é a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que nos conduz para Deus. Que devemos nos deixar enternecer-nos pelas misérias e sofrimentos dos semelhantes, no entanto, devemos cuidar para que nossas lágrimas não diminuam a coragem dos companheiros diante das provas que devem suportar.
“Se um ente amado permanece mais tempo sob a tempestade necessária, não te entregues a desesperos inúteis. A queixa não soluciona problemas. Em vez de magoá-lo com soluços, aproxima-te dele e estende-lhe as mãos”. – Emmanuel.
(Referências: Portal da Revista Superinteressante. “Por que choramos?” Acesso em 06/10/2017. Emmanuel. O evangelho por Emmanuel: comentários aos Atos dos Apóstolos/coordenação de Saulo Cesar Ribeiro. Brasília: FEB, 2017. p.100. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Item 17)

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