ANO: 23 | Nº: 5812

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
07/10/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário

Estamos vivendo e celebrando o Mês Missionário e acolhendo a mensagem do Papa Francisco para este mês, com este tema: a missão no coração da fé cristã. Ele nos diz: “Pela missão da Igreja, é Jesus Cristo que continua a evangelizar e agir. Por meio da proclamação do Evangelho, Jesus torna-se sem cessar nosso contemporâneo, consentindo à pessoa que o acolhe com fé e amor experimentar a força transformadora do seu Espírito de Ressuscitado que fecunda o ser humano e a criação, como faz a chuva com a terra”.
Continuamos refletindo o Evangelho de Mateus (21,33-43) que nos fala da parábola dos vinhateiros, onde o senhor da vinha envia seus servos que correspondem às várias fases da história da salvação que Deus faz com seu povo, missão esta reiterada e muitas vezes frustrada dos profetas. Por fim, o envio do filho, sua morte violenta e a vocação dos pagãos, onde Deus abrirá as portas a um povo novo.
O tema da vinha é parábola comum ao Antigo e ao Novo Testamento, da qual primeiro os profetas e, depois, Jesus se serviram para falar do amor de Deus e da ingratidão do ser humano em não obedecer e ainda querer se colocar no lugar de Deus.
É interessante observar nesta parábola que o dono da vinha, quando chegou o tempo da colheita, enviou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos; ou como diz o profeta Isaías: “esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens” (5,1-7). O próprio profeta fala dos frutos que eram esperados pelo Senhor, ou seja, justiça e bondade.
Olhando para a grande vinha de Deus que é a humanidade, percebemos a devastação de grande parte da natureza, a devastação de inúmeras famílias, a devastação da vida em sociedade, injustiças sociais, a violência, a pobreza, a exclusão de milhares de pessoas daquela condição de dignidade querida por Deus; o deboche e desrespeito aos valores fundamentais que solidificam a convivência humana, bem como o dispensar Jesus Cristo e os valores do Reino.
E toda esta realidade acontece, não por indiferença de Deus para com a humanidade, mas sim como insistência orgulhosa e autossuficiente do ser humano em não aceitar ser cuidado por Deus; e sim seguindo cegamente os seus próprios caprichos, tornando-se o centro de tudo. Na parábola dos vinhateiros o proprietário esperava os frutos daquela vinha. Por isso, é determinante a pergunta: enquanto cidadãos e cristãos, que frutos estamos produzindo ou quais frutos Deus está esperando de nós?
Não basta dizer que somos cristãos, que vamos à missa, que temos a nossa devoção ou piedade. Tudo isso está certo e devemos fazer. Porém, há o perigo de ficarmos somente nos ritos e nas celebrações, e não viver o que Jesus Cristo nos pede, em não produzir os frutos que hoje Ele espera de nós: a justiça do Reino, o cuidado e defesa da vida, da natureza, do meio ambiente, a prática da solidariedade, da tolerância, do respeito, da misericórdia e do perdão; o trabalho por uma sociedade mais justa e fraterna.
O fato de sermos cristãos não nos garante o Reino. Somos escolhidos para sermos sinal do amor, da misericórdia e da salvação de Deus. É preciso provar esta escolha com frutos e ações concretas de justiça e direito.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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