ANO: 23 | Nº: 5764

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
07/10/2017 Marcelo Teixeira (Opinião)

Veranicos e invernicos

Às vésperas de entrar em mais um horário de verão, além de celebrar o fato de ter sobrevivido a mais um inverno, sou obrigado a reconhecer que, neste ano, minha descrença na tese do aquecimento global ou efeito estufa, sofreu um forte abalo.
Nunca acreditei muito nas teses dos ecochatos de plantão que, num tom francamente alarmista, praguejavam até contra o “pum” das vacas como protagonistas do aumento da temperatura em escala global.
Não tenho formação na área, mas, como praticante inescapável de “papos de elevador”, sempre me mantenho informado e gosto de informar os outros, principalmente no Facebook, sobre as condições climáticas da nossa região que, entre amigos, denomino de “Portal das Frentes Frias”. De tanto me informar acabei aprendendo a apreciar o assunto e descobri especialistas que contestam o aquecimento global, dizendo que é mais provável que a humanidade esteja às vésperas de uma nova “Era do gelo” do que uma fase de aquecimento global capaz de derreter o gelo das calotas polares e aumentar o nível dos oceanos. Prova disso é que o nosso planeta já passou por uma fase de aquecimento muito tempo antes de começar a aventura humana na face da terra, ou seja, a atividade humana pode não ser tão determinante. Pode até acelerar ou retardar os ciclos da natureza, mas jamais evitar que eles ocorram.
Todavia, o inverno de 2017, disparado, foi o que teve a maior quantidade de veranicos desde que me conheço por gente. Friaca mesmo, só ocorreu na segunda quinzena de julho e, mesmo assim, durou pouquíssimos dias. De resto foi uma sequência interminável de veranicos que continua até agora em plena primavera. De vez em quando dá uma esfriadinha, temos que desalojar nossos moletons e edredons, mas não por muito tempo. Rapidamente eles retornam para os seus redutos embolorantes até a próxima refrescada.
E assim foi o nosso inverno aqui na região da Campanha: bota edredom, tira edredom; bota moletom, tira moletom; bota pantufa, tira pantufa; liga o aquecedor, desliga o aquecedor; liga o ventilador, desliga o ventilador etc etc etc. Um vai-e-vem, um tira-e-bota, um liga-e-desliga sem fim.
Pois bem, vasculhando minhas lembranças de quase meio século, é inegável que, na média, os invernos do passado eram bem mais rigorosos e perenes do que os invernos atuais. Nos últimos anos, lembro apenas do inverno de 2007 que foi bastante rigoroso e iniciou com geadas fortíssimas em pleno maio. Todos os demais, com alguns picos mais ou menos prolongados de frio intenso, mas, no geral, apenas friozinho, com os costumeiros veranicos de maio (que nem inverno é) e um ou outro em junho e julho.
Em contrapartida, se pararmos para observar (e lembrar), os próprios verões também já não são mais os mesmos. É cada vez menos comum, grandes períodos de calor escaldante. Tanto que aqui na nossa região, quase que por milagre, faz uns cinco verões que não temos que lidar com racionamento de água. Invernicos em novembro, dezembro e fevereiro são relativamente comuns, mas até em janeiro tem ocorrido alguns.
Ainda não estou totalmente convencido de que estamos vivenciando um aquecimento global, mas não há a menor dúvida que a humanidade está vivendo um período de mudanças climáticas com eventos episódicos e localizados cada vez mais intensos, acompanhado de uma visível indefinição das quatro estações que se alternam em diferentes períodos do ano e, não raramente, até no mesmo dia. Ou seja, não temos mais meias-estações nem estações inteiras, temos sim veranicos e invernicos que se alternam entre outonicos e primavericas ao longo do ano todo. Haja pulmão!

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