ANO: 23 | Nº: 5764

Rochele Barbosa

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Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
09/10/2017 Caderno Minuano Saúde

Alergias de primavera

Foto: Divulgação

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Com a chegada da primavera aumentam os casos de alergias causadas pelo pólen das plantas. Nesta época do ano, é mais comum as pessoas sofrerem crises de asma, rinite alérgica, conjuntivite, entre outros problemas respiratórios. O tempo seco e a variação de temperatura são os principais fatores que contribuem para esses quadros.

No período de intensa florescência das árvores e polinização das plantas, os grãos de pólen, são levados pelo vento e os insetos. Com isso, aumenta a quantidade desses grãos no ar e o pólen torna-se um incômodo extra para aqueles que já sofrem de alergias a outros elementos, como ácaros e fungos. Essas alergias são conhecidas como sazonais ou primaveris e costumam atingir mais os adolescentes e jovens adultos do que as crianças.
O pólen causa problemas respiratórios quando penetra nas vias nasais, provocando crises de asma e rinite alérgica, espirros em sucessão, coriza e congestão nasal. Algumas pessoas podem ter falta de ar e chiado no peito. Outro problema bastante comum é a conjuntivite alérgica, que provoca coceira e vermelhidão nos olhos.
A alergia e as doenças respiratórias ligadas a essas irritações começam a aparecer nesta época, onde acontecem grandes mudanças de temperatura em um mesmo dia. De acordo com a pneumologista Flávia Marzola, o alérgico é uma pessoa que reage de uma forma exuberante a diferente situações e exposições a fatores externos. “As pessoas que sofrem de alergias têm uma reação maior a uma quantidade menor de exposição a fatores como mudança de temperatura, poeira doméstica, pólen, pelos de animais, entre outro”, afirma. A fumaça de cigarro também pode ser motivo de irritação e promover uma reação alérgica.
Nesta edição, a médica irá informar sobre algumas doenças respiratórias e alergias deste período do ano.


Sintomas e causas

O alérgico que tem doenças respiratórias já tem uma predisposição genética. A alergia pode ser maior ou menor, dependendo da exposição, porém geralmente o indivíduo que tem rinite tem alergias a vários fatores. “A asma é outra doença que, para tê-la, o indivíduo já tem uma predisposição genética a doenças respiratórias”, destaca Flávia.
A médica também enfatiza que ,neste ano, a procura pela vacinação contra a gripe foi pequena e tivemos um inverno muito chuvoso, úmido e com variação de temperaturas o que é irritante para as vias aéreas. “Nosso clima tem prejudicado muito, dias frios seguidos de calor e muita umidade fez com que o número de doenças respiratórias aumentasse”, afirma.


Principais doenças do aparelho respiratório

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - esta é uma doença crônica, progressiva e irreversível que afeta os pulmões, apresentando como principal característica a destruição de muitos alvéolos pulmonares e o comprometimento dos restantes. É mais comum em indivíduos do sexo masculino com idade avançada, sendo que também é frequente sua observação em indivíduos que já tiveram tuberculose.
Os principais fatores que levam ao aparecimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se relacionam ao tabagismo, vindo em seguida o fumo passivo, exposição à poeira por longos anos, poluição do ambiente e, em certos casos, fatores genéticos.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 80 milhões de pessoas apresentam DPOC moderada a severa. No Brasil, essa afecção acomete em torno de 5,5 milhões de pessoas por ano, segundo o Conselho Brasileiro de DPOC.
Normalmente, os pacientes com DPOC apresentam sintomatologia tanto da bronquite crônica quanto do enfisema pulmonar. Deste modo, atualmente utiliza-se mais o termo DPOC quando se faz referência a bronquite crônica e enfisema pulmonar, uma vez que, normalmente, as mesmas coexistem no mesmo paciente apresentando obstrução do fluxo de ar.


Bronquite crônica
- é definida como uma inflamação dos brônquios. Geralmente, surge depois de 20 a 30 anos de exposição dos brônquios a fatores irritantes, como o tabaco, poluição do ar, entre outras fontes. Sua ocorrência é mais comum em mulheres do que em homens. A afecção pode preceder ou acompanhar o enfisema pulmonar.

Enfisema pulmonar - é uma doença crônica, na qual ocorre destruição gradativa dos tecidos pulmonares, passando esses a ficarem hiperinsuflados. Normalmente, sua etiologia reside na exposição prolongada ao tabaco ou produtos químicos tóxicos.

Asma -  também conhecida como asma brônquica ou bronquite asmática, é uma afecção pulmonar caracterizada pela inflamação das vias aéreas, que leva à diminuição ou até mesmo obstrução do fluxo de ar. Sua fisiopatologia está ligada a fatores genéticos e ambientais, manifestando-se por meio de crises de falta de ar.
Nos Estados Unidos, essa doença leva a óbito, aproximadamente, 5% dos adultos. Tanto as internações quanto os óbitos, relacionados a essa doença, têm aumentado. No Brasil, dentro do SUS, a asma representa a terceira causa de internações, sendo que, no ano de 2007, foram registradas 273.205 internações por asma no Brasil (2,41% das internações totais).


Câncer de pulmão - é um dos tumores malignos mais comuns, sendo que sua incidência no mundo todo vem aumentando 2% a cada ano. A mortalidade por esse tipo de neoplasia é muito elevada e o prognóstico está relacionado à fase em que é diagnosticado.
O principal fator de risco para o aparecimento dessa neoplasia é o tabagismo. Atualmente, esse último corresponde a 90% dos casos do tumor. É mais comumente observado em homens do que em mulheres; todavia, o número de casos em mulheres está aumentando, enquanto que o número de casos em homens está diminuindo.
A neoplasia também pode ser causada por certos produtos químicos, como: arsênico, berílio, asbesto, radônio, níquel, cromo, cádmio e cloreto de vinila, especialmente observados em ambiente ocupacional. Outros fatores relacionados ao surgimento desse tumor são os dietéticos, genéticos, histórico da DPOC e histórico de câncer de pulmão na família.


Tratamento e prevenção
Segundo Flávia, o alérgico deve identificar os fatores “gatilho” para as alergias. “O paciente deve se manter o máximo possível distante destes fatores, como não manter carpetes em casa, não ter animais domésticos, pisos de fácil limpeza para não acumular pó”, destaca. Além disso, pode ser feito o tratamento preventivo para quem sofre com essas doenças. “Existem sprays antialérgicos e anti-inflamatórios que mantêm a mucosa nasal umidificada”, alerta. Outros métodos de prevenção como plantas fervidas, pode aumentar mais a reação alérgica do indivíduo exposto, devido aos compostos químicos da planta. “Têm pessoas que são sensíveis a várias coisas, os tratamentos caseiros podem piorar a situação”, explica. Outro fator de prevenção que pode ajudar é a vacinação contra a gripe. O medicamento não previne a doença, mas é um agressor a menos para as vias aéreas.
Flávia também enfatiza que outras formas de prevenção são a higienização dos ambientes, hidratação, limpeza, evitar o fumo e ter boa alimentação.

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