ANO: 23 | Nº: 5764

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
11/10/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Lutar é a única saída

Ontem, foi o dia unificado de lutas dos trabalhadores gaúchos. Uma grande manifestação, que reuniu professores, policiais, funcionários públicos e trabalhadores em geral, marcou a data em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. O fato de a concentração ter sido em frente à sede do governo estadual tem muito a dizer sobre a situação política e econômica do nosso Estado.
Desde que se elegeu, o governador Sartori não conseguiu apresentar um projeto de governo com capacidade para enfrentar os problemas mais básicos do Estado, que, aliás, vinham sendo enfrentados com relativo sucesso pelo seu antecessor.
A questão da dívida com a União, por exemplo, sobre a qual Tarso conseguiu um acordo que diminui em R$ 22 bilhões o montante total do endividamento, é tratada pelo atual governo como uma justificativa para privatizações de estatais gaúchas.
O tal Regime de Recuperação Fiscal, apresentado pela União e aceito por Sartori, além de trazer um conjunto de exigências que podem “esfolar” ainda mais os servidores públicos, trata-se, na verdade, de uma moratória de três anos que acabará por aumentar a dívida e, praticamente, desfazer a conquista que tivemos com a negociação de Tarso.
A diminuição dos investimentos em educação e saúde também fazem parte de uma adesão de Sartori ao pacto das elites econômicas brasileiras, que aplicam a política da austeridade, em que o Estado trata as necessidades sociais apenas como uma questão matemática, fazendo com que os pobres paguem pela crise gerada pelos movimentos irracionais do capital em nível internacional.
Para o conforto de Temer, Sartori não age com seriedade e força para colocar na mesa das negociações a dívida da União para com o Estado. Falo aqui, dos valores referentes à Lei Kandir, que significam, hoje, algo em torno de R$ 44 bilhões, dinheiro que a União deveria devolver ao Rio Grande do Sul por conta dos incentivos às exportações. Se colocasse isso na mesa, Sartori não precisaria falar em venda de patrimônio e poderia estar pensando em fazer crescer e desenvolver as empresas públicas gaúchas.
Por último, mas não menos importante, a incapacidade demonstrada pelo governo do Estado em pagar em dia os servidores, parcelando salários e instituindo o maior período seguido de atrasos salariais no Rio Grande do Sul, impacta negativamente, como todos sabemos por nossa própria experiência, a vida de qualquer um. E isso, como já dissemos, de forma intencional, para ampliar a percepção de caos e facilitar sua política entreguista.
É contra tudo isso que o Rio Grande luta. Por isso, a saída para o Rio Grande do Sul é Sartori sair. Entretanto, ainda faltam 418 dias de seu governo. Enquanto isso, lutar é a única saída.

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