ANO: 25 | Nº: 6209

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
14/10/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Saber acolher e responder ao convite de Deus

Ao longo da nossa história recebemos vários convites: casamentos, festas, bodas, aniversários, empregos. Em todas essas ocasiões precisamos, não somente decidir se acolhemos ou não o convite, mas escolher uma roupa que seja adequada para o momento. Neste sentido, a Liturgia da Palavra deste domingo nos propõe uma reflexão acerca também do convite que Deus fez a cada cristão no dia do seu batismo e da resposta que ele espera dos seus convidados.
O Evangelho narra a parábola do banquete que um rei organizou para celebrar o casamento de seu filho (Mt 22,1-14). Mandou seus servos convidarem algumas pessoas para o banquete, mas todas recusaram o convite dando muitas desculpas e muitos até sentiram-se incomodados. A parábola ainda conta que uns, num gesto de violência, espancaram e mataram os servos do rei. O rei, indignado, mandou suas tropas castigarem estes assassinos e disse aos servos que chamassem todo tipo de pessoas que encontrassem para o banquete. Estes foram e chamaram todos aqueles que encontraram pelo caminho e a festa ficou cheia de convidados. No entanto, um convidado não estava vestido adequadamente e foi retirado da festa pelos servos do rei. Desta forma o casamento foi celebrado com aqueles que aceitaram o convite e que estavam preparados para a festa.
Esta parábola foi contada por Jesus em Jerusalém quando a pressão dos dirigentes judaicos estava muito forte em relação às suas atitudes. Ele buscou ilustrar a recusa de Israel, principalmente dos chefes judaicos, ao projeto de Deus que Ele estava anunciando. Assim, com esta parábola, somos também nós convidados a refletir sobre a resposta que Deus espera diante do seu generoso e gratuito convite de participar do seu Reino.
Primeiramente, esta parábola, nos ensina que a realidade do Reino de Deus (a partilha, o amor, a comunhão, a alegria da sua presença) é para todos, sem exceção. A Carta Encíclica Sobre a validade permanente do mandato missionário, de João Paulo II, nos apresenta assim o Reino de Deus: “O Reino diz respeito a todos: às pessoas, à sociedade, ao mundo inteiro; o Reino de Deus é a manifestação e a atuação de seu desígnio de salvação, em toda a sua plenitude” (RM 15). Assim, Deus está sempre convidando, sempre renovando este convite que, pelo batismo já aceitamos, de participar de sua vida plena e de contribuir para a construção de um mundo mais humano. Ninguém deve sentir-se excluído deste convite.
O grande problema, apresentado também pela parábola, é que pelo nosso comodismo, falta de oração, preocupações excessivas, corremos o risco de não valorizar o convite de Deus ao amor, à partilha, ao encontro dos outros; achando até mesmo que isto nos incomoda ou a centralizarmos o seu Reino em nosso modo de pensar, em nossas convicções. Quantos sentem-se incomodados com o convite de uma pessoa, ou até mesmo do padre, para participar de alguma pastoral, grupo bíblico, movimento. Quantos acham que o Reino de Deus se reduz à “sua Igreja”, ao “seu movimento”, à “sua comunidade”, sem abrirem-se às periferias e aos excluídos. Quantos jovens rejeitaram o convite de Deus para o sacerdócio, à vida religiosa, sem ao menos fazer um verdadeiro discernimento. Infelizmente, o chamado bondoso, gratuito, generoso de Deus para muitos já se tornou um grande incômodo.
No entanto, a parábola ressalta que o projeto de Deus nunca se interrompe. O seu amor é capaz de vencer até mesmo a infidelidade do seu povo. Diante da rejeição ele não suspende a festa, mas volta a propor o convite, ampliando-o, na expectativa de encontrar uma resposta adequada ao seu amor. Por fim, a resposta que ele espera de nós e que nos dará o direito de participar do seu banquete é o testemunho fiel, até o fim, do seu amor e de sua predileção por todos. Como nos diz São Paulo: “no fim seremos julgados pelo amor” e esta será a medida, o “traje de festa” que o Senhor nos pedirá.
Façamos a nossa parte, saibamos acolher e responder ao convite de Deus. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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