ANO: 25 | Nº: 6283

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
14/10/2017 José Artur Maruri (Opinião)

Um desafio

“E agora, o que estás esperando? (...) (Atos 22:16)”
Atualmente, em tempos em que as redes sociais servem como um tribunal de inquisição onde o edito é confeccionado e executado pelos próprios homens, muitos tem se arvorado na acusação de que os preconceitos e atos nefastos advindos deles, são causados, em sua grande maioria, pelos cristãos. E mais, se tornam inimigos do próprio Cristianismo, colocando todos os adeptos numa vala comum.
No entanto, desde as épocas mais remotas, ao tempo do Apóstolo Paulo, por exemplo, já se meditava sobre os beneficiários do Evangelho que vão se prendendo a queixas e obstáculos e deixam de atender aos apelos e dádivas do verdadeiro cristianismo.
Paulo contava que após a sua inesquecível experiência às portas de Damasco, em face da perplexidade que o defrontara, perguntou-lhe Ananias, em advertência fraterna: “E agora por que te deténs?”. A interrogação merece reflexão por todos os que já receberam convites ou socorros do Plano Espiritual.
É impossível generalizar os adeptos do Cristianismo, porque o próprio Jesus, em sua passagem sobre a Terra, já anunciara: - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus.
O Benfeitor Espiritual Emmanuel relata que algumas pessoas, “se felicitados pela luz da fé, lastimam não haver conhecido a Verdade na juventude ou nos dias de abastança; contudo, na idade madura ou na dificuldade material, sustentam as mesmas tendências inferiores que lhes marcavam as atitudes nos círculos da ignorância”.
Para ele, “nas palavras, exteriorizam sempre grande boa vontade; entretanto, quando chamados ao serviço ativo, queixam-se imediatamente da falta de dinheiro, saúde, de tempo, de forças”.
Quanto a isso, Allan Kardec, codificador do Espiritismo, indaga: Todos os que confessam a missão de Jesus, dizem: Senhor, Senhor! Mas de que vale chamá-lo Mestre ou Senhor, quando não se seguem os seus preceitos? São cristãos esses que o honram através de atos exteriores de devoção, e ao mesmo tempo sacrificam no altar do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de todas as suas paixões? São seus discípulos esses que passam os dias a rezar, e não se tornam melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com os seus semelhantes?”.
Ele mesmo responde negativamente, porque esses, ditos Cristãos, à semelhança dos fariseus, tem a prece nos lábios e não no coração. Servindo-se apenas das formas, impõem-se aos homens, mas não a Deus.
Daí exsurge que, antes de uma generalização belicosa, é preciso considerar que muitos operários do Evangelho ainda se apresentam em contradição aos preceitos do Cristo.
Aos Espíritas, mensageiros do Cristianismo Redivivo, resta o desafio do combate a essas expressões destrutivas da própria personalidade, entregando-se às leis morais do amor, do trabalho, sem queixas, para que, na hora derradeira, não sejamos aqueles assemelhados aos sepulcros caiados, limpos por fora e podres por dentro.
“Em qualquer posição e em qualquer tempo, estamos cercados pelas possibilidades de serviço com o Salvador. E, para todos nós, que recebemos as Dádivas Divinas, de mil modos diversos, foi pronunciado o sublime desafio: “E agora por que te deténs?”.
(Emmanuel. O evangelho por Emmanuel: comentários aos Atos dos Apóstolos/coordenação de Saulo Cesar Ribeiro. Brasília: FEB, 2017. p.103. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 18. Item 9)

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