ANO: 25 | Nº: 6335

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
21/10/2017 Marcelo Teixeira (Opinião)

Amadores

Domingo passado celebramos o Dia dos Professores e, como professor, recebi o carinho e a consideração de diversos ex-alunos. Nessas horas, como sempre, fico com vontade de retribuir homenageando e agradecendo aos meus mestres e, também, reflito muito sobre a vocação para o magistério que costumo comparar com a vocação para a música.
Músicos e professores quase sempre reclamam da baixa remuneração e da falta de melhores condições de trabalho, mas, mesmo assim, não cogitam abandonar a carreira. Por muito tempo não entendi essa aparente contradição entre a paixão pela carreira mesmo diante das queixas recorrentes e falta de valorização por parte daqueles que lhes contratam.
Esta minha perplexidade terminou quando ouvi o também professor Mário Sergio Cortella dizer que os professores “são amadores no duplo sentido da palavra: porque amam o que fazem e porque nunca estão prontos.” Estendo esta qualificação para os músicos.
A insistência na “relação” ainda que mal remunerada e sem uma boa infraestrutura comprova que, de fato, esses profissionais amam o que fazem. Sem amor eles não suportariam tantos reveses. Mas também são amadores porque sabem que as carreiras demandam constante estudo e qualificação. Sempre temos coisas a aprender e a melhorar. Então, ser amador nos casos não é só uma característica, é um requisito para o sucesso ou, pelo menos, para se manter na atividade.
E olha que sou professor desde o tempo em que tínhamos a vantagem (ou privilégio) de conhecer o conteúdo e a bibliografia antes dos alunos. Hoje, graças ao avanço das comunicações, internet, smartphones, “Dr. Google” e uma infinidade de aplicativos, os alunos acessam o conteúdo simultaneamente nos obrigando a ficar sempre alertas e não ousar desprezar tantas fontes nem ignorar estas novas tendências na comunicação, pois, como aprendi com a vida, magistério é, em grande parte, pura comunicação. E professor que não se comunica, como diria Abelardo Barbosa, “se trumbica!”.
Sou professor, filho de professores, formei professores e fui formado por professores, assim não tenho como não ser grato a essa profissão. Para finalizar então, com uma semana de atraso, faço questão de homenagear os amadores que me transformaram em um amador: Aos das séries iniciais, agradeço pela paciência e persistência; aos das séries intermediárias e finais, agradeço pelo exemplo profissional e pela qualificação; aos bons, agradeço por terem me transformado e orientado corretamente; aos ruins, agradeço por terem me mostrado o que não devo ser nem fazer; ao ensino católico (Colégio Nossa Senhora Auxiliadora) agradeço pela alta qualidade da formação e pela construção dos alicerces da minha espiritualidade; ao ensino público e laico (XV de Novembro, hoje, Justino Quintana) agradeço pelo respeito às minhas convicções religiosas e pela aulas de vida proporcionadas pelo convívio plural e enriquecedor; aos exigentes, agradeço por terem me mostrado que a vida não é um mar de rosas; aos generosos, agradeço por terem me mostrado o valor do carinho, da motivação e do elogio; aos intermediários (entre generosos e exigentes), por terem me mostrado, na prática, que é possível criticar sem ofender e elogiar sem bajular; aos convergentes e divergentes, agradeço por terem reforçado minhas convicções e valores.

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