ANO: 25 | Nº: 6233

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
28/10/2017 Airton Gusmão (Opinião)

O maior mandamento

A glória de Deus é o homem vivo e a glória do homem é o conhecimento de Deus! (Santo Irineu).
No Evangelho deste domingo, Jesus é confrontado por um perito que lhe faz uma questão acerca do maior mandamento da Lei. Essa sempre foi uma preocupação constante entre os judeus, ou seja, saber, entre os numerosos mandamentos, aquele que exprimisse mais profundamente o sentido da aliança que Deus fez com seu povo.
Na sua resposta, Jesus não elenca um, mas dois mandamentos, colocando em total igualdade o amor a Deus e ao próximo, mostrando assim, o centro de toda a revelação bíblica em relação a ação de Deus: “toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos” (Mt 22,40). A intenção do fariseu, perito na lei, não era aprender do mestre um ensinamento novo, não estava preocupado com conteúdo da lei, para ele valia somente o princípio da lei pela lei. No entanto, o que significa para nós, cristãos, amar a Deus de todo o coração, alma, entendimento e ao próximo como a si mesmo?
Primeiramente, significa colocar a Deus como centro da nossa existência em resposta ao amor que Ele manifestou a todos nós. Tudo deve girar em torno desta relação de proximidade com Deus, pois ele nos conhece mais do que a nós mesmos e sabe do que precisamos. Essa é uma opção fundamental que todo o cristão é chamado a assumir e viver. Como diz São Paulo: “Deus nos amou primeiro, ainda quando éramos pecadores, e fez-se próximo de nós a tal ponto de enviar o seu filho para nossa redenção” (Rm 5,6-11).
A resposta que Deus nos pede é, também, o amor gratuito ao próximo, cuja medida seja o amor a nós mesmos. Significa, diante desta sociedade que coloca o econômico à frente do humano, o interesse pessoal à frente da comunhão e da partilha; viver a partir da dinâmica do encontro, da solidariedade, do compromisso, deixando-se interpelar pela necessidade de tantos que não têm uma vida digna. À luz da parábola do “bom samaritano” (Lc10, 25-37), quando se assume a vida do outro como dom de Deus numa proposta de serviço, de gratuidade, assume-se verdadeiramente a própria vida, e assim vive-se a partir do essencial em plena conformidade com o desejo de Deus. Não há como separar o encontro com Deus nos sacramentos, do estar próximo da fragilidade humana.
Dessa forma, compreendemos o belo ensinamento de Jesus de que os dois mandamentos revelam não somente a ação amorosa de Deus na história em favor dos homens, mas a resposta adequada a este amor, e por isso, são o resumo da lei e da ação dos profetas. Trata-se, na verdade, do eixo de toda a existência cristã, de um novo horizonte de vida proposto e vivido plenamente por Cristo. Como nos ensina o Papa Francisco: “O mandamento do amor a Deus e ao próximo não é o primeiro porque está no topo da lista dos mandamentos. Jesus não o coloca no alto, mas no centro, porque é o coração de onde tudo deve começar e retornar; é a referência”.
Façamos a nossa parte, saibamos acolher e responder ao convite de Deus. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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