ANO: 25 | Nº: 6279
31/10/2017 Cidade

Por que o bullying hoje faz mais estragos que fazia antigamente?

Reconheço o quanto é complexo atualmente falar sobre esse tema, porém, é mais difícil ainda não falarmos. De uma forma ou outra, o bullying respinga em todos nós.

Em primeiro lugar, é importante conceituar o problema.

Bullying é a prática de atos violentos, intencionais e repetidos contra uma pessoa indefesa, que pode causar danos físicos e psicológicos às vítimas. O termo surgiu a partir do inglês bully​, palavra que significa tirano, brigão ou valentão.

Logo em seguida, é necessário contextualizar porque nossas crianças e jovens estão mais vulneráveis a esta agressão que sempre existiu, sempre foi intensa e muito cruel, embora ainda não tivesse esta nomenclatura. A maioria de nós tem pelo menos uma lembrança de apelidos grosseiros, brincadeiras humilhantes e violências físicas e psicológicas que vivenciou ou presenciou alguém viver no ambiente escolar.  Essa experiência sempre foi ruim e logicamente sempre causou danos profundos. No entanto, atualmente a escola tem uma importância emocional e social maior que tinha há 30 anos. Hoje é basicamente na escola que se faz amigos, é quase o único grupo de convivência significativa com pares por anos a fio. Sendo que antigamente havia uma família mais numerosa e presente em casa, a comunidade, vizinhos, primos, religião, etc. Ou seja, as experiências boas e ruins da escola sempre tiveram peso, mas era diluído em meio a tantas relações e conexões sociais que ajudavam a fortalecer a personalidade baseada na interação social.

Somado a isso a excessiva preocupação e desejo que os filhos não sofram tem forjado gerações de pessoas sem empatia, de raro autocontrole (são escravos da satisfação imediata), dificuldade para o autoconhecimento, nenhuma gratidão e por consequência  sem esperança, pouca ou nenhuma autoconfiança (afinal esta característica surge do enfrentamento e superação sucessivos de dificuldades), pobre investimento em vínculos afetivos significativos e na compreensão de um sentido vital próprio para cada dificuldade experimentada. Paradoxalmente, todas essas características quando vivenciadas e desenvolvidas satisfatoriamente promovem resiliência, exatamente o que necessitamos para superar e nos fortalecer com as adversidades da vida.

Questão complexa com muitos fatores entrelaçados, culturais, emocionais, educacionais e familiares, mas quando a resiliência tornar-se algo importante a ser desenvolvido em todas estas esferas, principalmente na familiar, o bullying não mais terá tanto poder.

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