ANO: 24 | Nº: 6039

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
01/11/2017 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Salário mínimo menor

Na segunda-feira (30 de novembro), o governo ilegítimo de Temer anunciou que o salário mínimo em 2018 será menor do que o previsto. De R$ 969,00, baixará para R$ 965,00. É a segunda vez que diminui a projeção para um salário que, originalmente, seria de R$ 979,00. Com a mudança, justificada pelo ministro do Planejamento pela baixa da expectativa inflacionária, o governo pretende economizar algo em torno de R$ 1,2 bilhão nos pagamentos das aposentadorias.
Coincidentemente, as projeções feitas por insuspeitas instituições demonstram que Temer gastou algo em torno de R$ 12 bilhões para salvar seu pescoço na votação da segunda denúncia contra ele. Emendas foram liberadas para os parlamentares fiéis, decretos foram publicados, facilitando o pagamento de multas e dívidas dos muito ricos, entre outros benefícios que distribuiu para que os 251 votos de deputados fossem computados a seu favor em vexaminosa adesão ao golpe da maioria dos congressistas.
Uma parte destes favores distribuídos por Temer, vê-se agora, serão pagos pelos trabalhadores brasileiros que recebem o salário mínimo. São 45 milhões de pessoas em todo o Brasil. Pessoas que vivem na base de nossa pirâmide social e lutam para sobreviver através de seu trabalho. O pior é que a mesma mensagem que informa a redução do salário dos trabalhadores, diz que o governo elevou a previsão de gastos em R$ 44,5 bilhões. Provavelmente, para sanar os benefícios que distribuiu aos seus parceiros de pilhagem que atuam em Brasília.
É o que podemos chamar de uma medida indigna, desprovida de qualquer sentido de justiça e de humanidade. Infelizmente, essa é a marca do governo Temer, que já apareceu, com outra abordagem, quando decidiu ser conivente com o trabalho análogo ao de escravo, dificultando a fiscalização através de decreto do ministro do Trabalho.
A política de valorização do salário mínimo, desenvolvida por Lula e Dilma, foram responsáveis, em boa parte, pelo ciclo de crescimento que o Brasil viveu entre 2002 e 2013. Isso não sou eu quem diz, mas relatórios de instituições nacionais e internacionais, como o Banco Mundial. A explicação é óbvia. Com o aumento de sua capacidade de consumo, os trabalhadores fazem a economia girar positivamente, criando um ciclo virtuosos de crescimento e desenvolvimento.
Essa política de aumentos no salário mínimo, também auxiliou no combate à desigualdade, permitindo aos brasileiros que estão na base da sociedade aumentar sua participação na renda nacional. Foi o que aconteceu neste período de 10 anos em que o Brasil viveu o sonho da diminuição da desigualdade e do aumento do desenvolvimento.
Infelizmente, a era Temer tem como vocação enterrar esses sonhos. Isso passa, também, como se vê, por diminuir a capacidade dos trabalhadores em participar da riqueza produzida pelo Brasil. Além de vender nosso patrimônio, negociar nossas riquezas, Temer quer, também, impor aos pobres um futuro de marginalidade.
Por isso, a saída para o Brasil é Temer sair.

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