ANO: 25 | Nº: 6260

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
02/11/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Epístola aos intelectuais

O antropólogo Flávio Gordon, autor de “A corrupção da inteligência: intelectuais e poder no Brasil”, afirmou, em entrevista ao Portal G1, que os danos na inteligência são muito piores que os danos oriundos de uma corrupção econômica. De acordo com Gordon, o principal problema na deturpação da racionalidade é que essa “causa danos permanentes para a cultura, debilitando o intelecto e a imaginação dos indivíduos por muitas e muitas gerações”. Os resultados dessa afirmação são visíveis. Não à toa, intelectuais-falsários proliferam-se como ratos em uma sociedade carente de significado. Basta que as informações respeitem a estética da linguagem para que ganhem contornos de revelação.

Leandro Karnal é um exemplo disso. Esse aclamado intelectual, recordista em palestras e venda de livros, usa e abusa de uma postura “isenta” para se colocar como um viaduto sobre as demais rodovias. Isenção essa que pode ser reforçada pelo seu amigo, o também superstar Mario Sérgio Cortella, quando disse (em entrevista a Época) que uma das virtudes de Karnal é de iluminar (como um farol em um mar agitado), mas sem apontar um caminho.

Ora Karnal, que recentemente publicou um livro com o padre-cantor (ou seria cantor-padre?) Fábio de Melo, já declarou que os seres humanos têm “uma sedução profunda pelo mal”, que “o demônio é o anjo mais interessante” (ambas em entrevista ao O Globo) e que “Deus e o diabo fazem parte da mesma gramática” (na obra “Todos contra todos”). Seriam essas afirmações bons indicativos de um “isento” que não quer indicar um caminho? Cortella deveria responder a esse questionamento, afinal fez o prefácio da referida obra. Não questionarei o que levou o cantor (ops... padre!) a publicar uma obra com alguém desse naipe.

Por falar em Cortella, em 18/10/2017, no Programa “Conversa com Bial” e na companhia de Marcelo Tas, ao tratarem do tema de representantes políticos que (supostamente) defendem ideias intolerantes, mostrou enorme incoerência, algo onipresente nesses intelectuais. Ao defender a democracia, Cortella citou Karl Popper, ao reforçar que ela não pode aceitar os intolerantes sob pena de ser destruída. Tas questionou quem deveria determinar quem é intolerante. Cortella falou de pronto: “a comunidade”. Mas não problematizou que, em alguns momentos da história, a comunidade pode ser intolerante com o indivíduo (basta ver como o politicamente correto se comporta contra aqueles que discordam de sua agenda). Cortella ainda reforçou que a democracia não pode assimilar posturas antidemocráticas: um flagrante “flatus vocis” para agradar a plateia. Por qual razão?

Quem conhece minimamente Cortella, sabe que seu orientador de Doutorado em Educação foi Paulo Freire. Também sabe que Cortella elogia incessantemente o modelo “pedagógico” freireano. Mas talvez a sociedade não saiba (culpa das Universidades, do “mainstream”, dos intelectuais...) que Freire foi um grande admirador de regimes comunistas/totalitários e de seus líderes. Cortella sabe. Mas faz que não sabe. O que é pior, pois corrompe deliberadamente o intelecto em nome de uma causa. Não ilumina, escurece. No entanto, “e não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Não é surpreendente, então, se seus servos também se disfarçam como servos da Justiça” (II Coríntios 11:14-15).

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