ANO: 25 | Nº: 6312

Airton Gusmão

redacaominuano@gmail.com
Pároco da Catedral
04/11/2017 Airton Gusmão (Opinião)

As bem-aventuranças: a santidade é para todos

A humanidade sempre cultivou a memória de heróis e heroínas. A principal finalidade era apresentá-los como gente capaz de práticas esportivas, culturais ou outras além das forças humanas, para estimular os “simples mortais” a também desenvolver suas aptidões adormecidas.
“Todos, certamente, queremos viver felizes, e não existe no gênero humano pessoa que não concorde com esta proposição, mesmo antes de ser formulada por inteiro” (Santo Agostinho).
“Bem-aventurados os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os que são perseguidos por causa da justiça, de Jesus Cristo” (Mt 5,1-12).
As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração humano, a fim de atraí-lo a si, pois só ele pode satisfazê-lo. Elas desvendam o objetivo da existência humana, o fim último dos atos humanos. Deus nos chama à sua própria bem-aventurança.
A Igreja nos diz que todos os homens e mulheres têm uma vocação à santidade: “O Senhor Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição que fossem, a santidade de vida, de que ele próprio é autor e consumador: ‘Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celeste’ (Mt 5,48). Todos os fiéis são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade, pois por esta santidade se promove também na sociedade terrena, um teor de vida mais humano” (Concílio Vaticano II, Sobre a Igreja, nº 40).
São Paulo nos diz que recebemos um grande presente de amor do Pai, o de sermos chamados filhos de Deus e que ainda nem se manifestou o que seremos. O Sacramento do Batismo nos capacita para a santidade, pois somos chamados a corresponder a este amor gratuito, a reconhecermos que recebemos tudo de Deus e deixar-nos amar e guiar por Ele; no espírito das bem-aventuranças como um programa para a verdadeira felicidade.
Os santos antes de tudo, foram pessoas normais. Eles fizeram sua caminhada de vida seguindo os passos de Jesus. Participaram da realidade do povo santo e pecador. Porém, eles se destacaram na vivência radical do ideal proposto pelas bem-aventuranças.
A solenidade de todos os santos nos ajuda a considerar uma verdade fundamental da fé cristã que está presente no Credo que professamos: a comunhão dos santos. É a comunhão que nasce da fé e une todos aqueles que pertencem a Cristo em virtude do Batismo. Trata-se de uma união espiritual que não é interrompida pela morte, mas continua na outra vida. Nós, aqui na terra, juntamente aos quantos já entraram na eternidade, formamos uma única e grande família.
Será que já paramos para pensar, com quantos santos e santas convivemos ao longo de nossa vida, mesmo que não reconhecidos oficialmente, por decretos e beatificações ou canonizações?
O Santoral da Igreja mostra concretamente pessoas e o nível de santidade alcançado nas mais diversas profissões, estados de vida e possibilidades humanas. A principal razão do culto aos santos é ver neles o testemunho de modelos para serem imitados pelas pessoas que tendem para a santidade nas diversas situações da vida. Se ele ou ela podem ser santos, por que eu não poderei?
Que os santos de Deus intercedam por todos nós para que vivamos as bem-aventuranças, em vista da nossa santidade e também a do mundo. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...