ANO: 25 | Nº: 6311
04/11/2017 Cidade

Milhares de bajeenses lotaram necrópoles da cidade no Dia de Finados

Foto: Tiago Rolim de Moura

Familiares relembraram entes falecidos na quinta-feira ensolarada
Familiares relembraram entes falecidos na quinta-feira ensolarada

O Cemitério da Santa Casa de Caridade de Bagé abriga inúmeras histórias e muita saudade. A última quinta-feira, Dia de Finados, foi movimentada no local, já que milhares de bajeenses foram às necrópoles para homenagear os entes falecidos. O tempo ajudou e já nas primeiras horas da manhã a movimentação teve início.
Delma Ribeiro Vieira, 66 anos, foi até o cemitério da Santa Casa relembrar os momentos passados junto à mãe e o irmão, ambos sepultados no local. Ela conta que esteve no cemitério dias antes a fim de limpar o jazigo onde repousam os restos mortais dos familiares. Na quinta-feira, 2, enquanto outras famílias aproveitavam o momento para a limpeza de túmulos e lápides, ela orava por seus entes.
A idosa relata que busca sempre visitar o cemitério em datas especiais, como aniversários, Dia das Mães e Dia dos Pais. Mas é no Dia de Finados que realiza a visita mais tradicional. “Venho para matar a saudade. É uma obrigação que temos também. A geração mais nova já não tem essa tradição, mas eu acho importante cultivar e vir homenagear quem já se foi”, disse.

Personagens célebres
Em todas as necrópoles, sempre existem personagens célebres, seja pelo reconhecimento da importância histórica ou por apelo popular. Bagé não é diferente e também possui um túmulo que congrega várias pessoas de diversas religiões e perfis. O túmulo de Maximiliano Domingos do Espírito Santo é um desses locais.
Conhecido como Preto Caxias e Mão Preta, foi um enfermeiro conhecido pelo seu trabalho de cuidado aos pobres na cidade. Sempre na data de Finados, é o túmulo mais visitado pelos bajeenses, que o cobrem de flores e placas, em agradecimento às graças alcançadas.
Em silêncio, Pedro Lucas Saraiva, 64 anos, depositou flores no jazigo, enquanto orava. Questionado sobre a ação, ele explica que nutre apreço pela história do benemérito. Há muitos anos, aproveita a visita aos túmulos dos familiares para trazer à lembrança a história do personagem e homenageá-lo com orações e flores. “Nunca pedi nada para ele. Venho há muitos anos, mais por voto mesmo, porque gosto da história dele”, comenta.
Mais de 170 anos após sua morte, a história do herói Farroupilha Antônio de Sousa Neto, o General Neto, ainda está viva na memória dos gaúchos. Prova disso são as placas de reconhecimento a sua importância histórica, instaladas no jazigo dele, no coração do Cemitério da Santa Casa. Outro sinal, mais recente, foi a faixa vermelha, cor símbolo dos farroupilhas, colocada por uma admiradora junto a seu túmulo com a seguinte nota “Reconhecimento de uma piratiniense”.

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