ANO: 23 | Nº: 5789

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
11/11/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Estar preparado para o encontro com o Senhor

“Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora” (Mt 25,13).
A liturgia da Palavra deste domingo (Mt 25,1-13) convida-nos, novamente, à vigilância. Neste final de tempo litúrgico, chamado “tempo comum”, as leituras nos recordam que o horizonte último da nossa vida é o encontro definitivo com o Senhor e que, por isso, precisamos estar preparados para este encontro. O que significa este “estar preparado” para acolher o Senhor que vem?
O Evangelho deste domingo traz a célebre parábola das 10 virgens convidadas para a festa de casamento. Cinco delas entraram na festa com o noivo porque trouxeram consigo óleo suficiente para a espera do noivo; já as outras cinco, insensatas, não puderam entrar, pois não haviam trazido óleo suficiente. Relacionando esta parábola com o Reino de Deus, Jesus nos dá uma grande lição, colocando toda nossa vida em questão. O que a parábola nos ensina é que, enquanto cristãos, precisamos estar prontos e equipados para esse encontro; não podemos viver como se os ensinamentos do Senhor não implicassem nenhuma mudança na nossa vida. A preocupação com o Reino de Deus, o compromisso com a vida, é o conteúdo próprio desta vigilância atenta, preparada para o Senhor que vem. Como estamos vivendo o “hoje” da nossa história? A vigilância não consiste numa espera passiva e inerte, mas na realização de obras concretas que traduzam em ato esta espera atenta pelo Senhor. A sabedoria das virgens que entraram com o noivo na festa não foi somente vigiar, pois assim como as outras também acabaram cochilando; mas consistiu em estarem preparadas com suficiente óleo para quando o noivo aparecesse. Com o passar dos anos temos sempre a tendência de afrouxar a nossa vida de fé, de nos instalarmos num comodismo, numa vida de facilidades, e é sobre esta tentação que a parábola nos alerta. A Exortação Apostólica do Papa Francisco “Alegria do Evangelho”, traz algumas tentações pastorais a serem evitadas: “mundanismo espiritual, espiritualidade descompromissada, desânimo egoísta, pessimismo estéril” (nº 76-97).
Assim, renovar o nosso compromisso com Jesus a cada dia, traduzindo a nossa fé em atos concretos em favor do Reino, é a maneira que o Senhor nos pede para irmos também nos preparando para o encontro definitivo. Como nos ensina Jesus numa outra passagem, aquele que é capaz de perder a própria vida por causa dele e do Evangelho, a encontrará, pois este juntou óleo suficiente para a entrada no banquete da vida eterna.
Ainda em relação à parábola, podemos nos perguntar: que óleo é esse que nos permite chegar à grande festa da vida? A Tradição da Igreja viu neste óleo o símbolo do amor e da misericórdia, que é dom de Deus. Que a exemplo da figura do “samaritano” saibamos nos comprometer com o sofrimento, com a dor do irmão que está ao nosso lado, nos fazendo sempre atentos, próximos e dispostos a derramar o óleo do amor de Deus naqueles que mais necessitam.
Façamos a nossa parte, saibamos acolher e responder ao convite de Deus. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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