ANO: 23 | Nº: 5793

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
11/11/2017 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Tempos de elegância

Deixei atrás período de vassalagem ao terno e à gravata. Subjugado às galas de certas funções acomodara o talhe aos protocolos do serviço público. Hoje, os cabides sustentam peças inservíveis e as gavetas adormecem aos suspiros de pedaços de pano ora finos ou triangulares, de cores solenes ou tons esfuziantes, que se trocavam conforme o costume e o invólucro. A ociosidade das roupas também se justifica com a tirania dos quilos que não cedem à negligência do esforço. Sempre há esperança que, demolido o império das calorias, os confinamentos acabem e ressuscitem dos armários as lãs, viscoses, os linhos e os algodões. Que volte a se atentar para o corte inglês, italiano ou clássico. Que se dê atenção às estampas, às lapelas finas ou grossas. A fenda no paletó. Às combinações e comprimentos.
Quando se reveem antigas fotografias admira-se como os homens não dispensavam as vestes cerimoniosas. Outrora a gravata era imprescindível. Ia para os colégios onde lecionava bem enfarpelado. Obrigava o crediário na Casa Kalil ou Naefe. Quando sobrava algum comprava uns panos para que o Ramão ou confeccionasse. Para bodas e formaturas, as alpacas do Benevenga.
E já bacharel, para o foro e suas audiências era imprescindível o apuro rigoroso
Por ora, não meu Deus, deixa-me no informalismo. Preserva-me dos colarinhos apertados, permite que conserve somente a franciscana presença do velho blazer para alguma palestra ou inauguração. E do solene trajo para casamento ou posse. Muitas camisetas para o calor. Aplausos para as calças cargo que dispensam o cinto traiçoeiro. Os confortáveis tênis para a caminhada improfícua ou cafezinho folgado. Vivas ao minimalismo e ao desapego. Hosanas ao nadismo. Menos é mais.

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