ANO: 25 | Nº: 6332
13/11/2017 Editorial

Cerco à “palavra do ano”

O termo "Fake News", que designa as notícias falsas propagadas pela internet, foi escolhido como “a palavra do ano”, pelo dicionário inglês da editora Collins. A expressão se popularizou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas não tem um recorte pontual. Seus efeitos negativos, inclusive, preocupam as autoridades brasileiras. O Congresso Nacional e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por exemplo, prometem redobrar esforços para conter o avanço das mentiras divulgadas nas redes sociais. Este processo ganhou, inclusive, um aliado contraditório.
O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, empossado na semana passada, assumiu a missão de encarar o desafio. O trabalho deve envolver uma das principais atribuições do colegiado, demandando a realização de estudos técnicos. O conselho, aliás, foi criado para emitir pareceres diante de solicitações encaminhadas pelos parlamentares a respeito da liberdade de expressão, monopólio e oligopólio dos meios de comunicação, bem como sobre a programação das emissoras de rádio e televisão. A nova missão, já demandada, será cumprida, basicamente, com o apoio de profissionais diplomados – convidados pelo Congresso, mesmo em um cenário pontuado pela desvalorização dos diplomas.
O mesmo deve ocorrer, ironicamente, com o grupo de trabalho criado pelo TSE e pelo Ministério da Defesa para analisar o combate a crimes cibernéticos. Para evitar a disseminação de boatos com potencial de influenciar as eleições do próximo ano, o Exército deverá atuar no monitoramento das notícias falsas. O assunto é tão sério que mobilizou o presidente do TSE, Gilmar Mendes - o mesmo ministro que votou pelo fim da exigência de diploma para jornalista, em ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O processo vai servir, nesse caso, para demonstrar que a formação acadêmica pode ser imprescindível para a democracia no cerco às “Fake News”.

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