ANO: 23 | Nº: 5789

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
13/11/2017 Caderno Minuano Saúde

Uma data para discutir prematuridade

Foto: Divulgação

O dia 17 de novembro foi escolhido como o Dia Mundial da Prematuridade para chamar a atenção para um problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo. Prematuros são os bebês que nascem com menos de 37 semanas.

A data, que também é conhecida como o Dia Internacional da Sensibilização para a Prematuridade, foi criada em 2009, sendo instituída, inicialmente, pelo Canadá, Estados Unidos, Austrália e Portugal.

Nesta edição, a coordenadora da Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal da Santa Casa de Caridade de Bagé, Cledinara Salazar, fala sobre o tratamento com bebês prematuros.

 

No Brasil, 340 mil bebês nasceram prematuros em 2012, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso significa que nascem 931 prematuros por dia ou cerca de 40 por hora, no país, indicando uma taxa de prematuridade de 12,4.

 

 

Prematuridade: dados e tratamento

O Dia Mundial da Prematuridade é celebrado em mais de 50 países, com o objetivo de pensar em estratégias para diminuir a taxa de prematuridade e evidenciar a importância da assistência médica adequada aos bebês e da prevenção do parto prematuro quando possível, a partir de um pré-natal completo. Neste sentido, a data visa aumentar a visibilidade sobre o assunto ao desmistificar o fato de que prematuros tenham inevitavelmente qualquer tipo de complicações durante seu desenvolvimento e crescimento.

 

Dados da prematuridade

Cledinara Salazar, que é médica pediatra especialista em neonatologia explica que a gravidez completa dura entre 37 e 42 semanas. “Prematuros são todas as crianças nascidas com menos de 37 semanas, sendo que, em sua maioria, são, também, recém-nascidos de baixo peso, isto é, peso menor que dois quilos e meio. Considerando-se que quanto menor o peso ou a idade gestacional maiores são os riscos para sobrevivência”, completa Cledinara.

Entre os diversos riscos pesquisados, alguns demonstraram ser importantes indicadores para a detecção precoce de um nascimento prematuro, entre eles a gravidez múltipla (de gêmeos ou mais bebês), o encurtamento do colo do útero, a má-formação fetal, o sangramento vaginal e menos de seis consultas realizadas durante o pré-natal.

Cledinara destaca que entre as mulheres que já tiveram uma gravidez no passado, parto prematuro e aborto prévio, além do aumento do volume de líquido amniótico ao redor do feto, também devem ficar atentas durante a gestação.

“A chance de um parto prematuro também foi maior entre mães com menos de 19 anos e sem um parceiro, que fumam e com alguma infecção durante a gestação”, conta.

A taxa de prematuridade no Brasil, em 2016, foi de 12,3%. Variando de 14,7% no Nordeste e 11,1% no Sudeste. Pelo menos 80% dos partos prematuros ocorreram entre a 32ª e a 36ª semana e apenas 7,4% deles antes de 28 semanas de gestação. “A taxa, no município de Bagé, no mesmo ano, foi  de 13,7%”, informa a médica pediatra.

 

Prevenção

A profissional orienta que gestantes devem procurar um médico diante dos seguintes sinais de alerta específicos:

- Aumento do número de cólicas;

- Qualquer sangramento, mesmo que ele já tenha parado;

- “Corrimento” por via vaginal;

- Sensação de peso embaixo da barriga, como se útero estivesse pesando sobre a vagina.

Recém-nascido prematuro

“Todo prematuro tem direito ao tratamento estabelecido pela ciência, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição. Sendo assim, todo prematuro tem o direito de ser cuidado por uma equipe multidisciplinar capacitada a compreendê-lo, interagir com ele e a tomar decisões harmônicas em seu benefício e em prol de seu desenvolvimento.” Artigo IV - Declaração Universal dos Direitos do Bebê Prematuro Dr. Luís Alberto Mussa Tavares.

A pediatra destaca que, muitas vezes, o bebê nascido prematuramente permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal por longo período, afastado de seus pais para receber os cuidados necessários à manutenção de sua vida. “Nessas situações, a equipe de saúde tem papel fundamental no sentido de favorecer o fortalecimento dos laços afetivos entre os pais e o bebê prematuro”, declara a especialista.

Cledinara acrescenta que os pais precisam, portanto, sentir que aquela criança é o "seu filho", e isso acontece quando inicia um contato físico mais próximo com ele, visitando-o sempre que puder, olhando-o e deixando-o vê-los (olho no olho). “Para facilitar a interação, os pais podem falar com ele antes de tocá-lo, fazendo com que ele saiba que eles estão ali. A voz suave da mãe o acalma e seu toque carinhoso lhe dá segurança e tranquilidade (pele à pele). Esse é o processo inicial do Método Canguru”, salienta.

Método Canguru é um tipo de assistência neonatal que implica em contato pele á pele o mais cedo possível entre os pais e o recém-nascido (RN), de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, promovendo autonomia e competência parental a partir do suporte da equipe, da interação familiar.

O sucesso do tratamento de um RN internado em UTI neonatal não é determinado apenas pela sua sobrevivência e alta hospitalar, mas também pela construção de vínculos que irão garantir a continuidade do aleitamento materno e dos cuidados após a alta, enfatiza Cledinara.

“Durante todo o período em que o bebê permanece internado, sua família, em especial seus pais, necessitam ser preparados para a alta hospitalar. Corno cuidar de um bebê de aparência tão frágil? Qual o comportamento esperado de um bebê que ficou seus primeiros meses de vida dentro de uma incubadora, na UTI Neonatal? Como alimentar o bebê? “, comenta a médica.

Quando o bebê recebe alta hospitalar, geralmente a mãe e a família sentem ansiedade e insegurança por terem que assumir a responsabilidade de cuidar sozinhos da criança, pois comparam seus cuidados ao tratamento especializado que o bebê recebeu no hospital.

 

Principais objetivos do acompanhamento ambulatorial do RN prematuro:

• Promover a supervisão de saúde, com orientações quanto à nutrição e ao crescimento e desenvolvimento da criança;

• Oferecer suporte emocional à família e à criança;

• Avaliar riscos e eventuais alterações no crescimento e no desenvolvimento durante as consultas;

• Promover intervenção precoce e efetiva no crescimento e desenvolvimento da criança, com técnicas de estimulação essencial e orientação interdisciplinar.


Para tais ações é necessário uma equipe multidisciplinar composta de:

Medico pediatra e neonalogista: para os cuidados de saúde.

Fisioterapia: a estimulação, também chamada de intervenção precoce, deve ser obrigatória nesta fase

Fonoaudiologia: acompanhamento da audição e linguagem

Nutrição: deve ser avaliada rotineiramente juntamente com pediatra neonatologista, com cálculo dos aportes hídrico, calórico e proteico, que devem ser adequados às necessidades e peculiaridades de cada criança.

Oftalmologia: acompanhamento evolutivo da visão

Serviço social: importante para detectar e ajudar a família a superar problemas sociais que possam refletir diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança.

Psicologia: aplicar testes específicos para avaliar o desenvolvimento e o comportamento das crianças

 

Prematuros em Bagé

Os recém-nascidos prematuros de Bagé e região têm seu leito garantido na UTI Neonatal da Santa Casa de Bagé, onde são acompanhados durante todo o período necessário de internação, esclarece a pediatra. “Dependendo da idade gestacional e peso permanecem internados por 1 a 3 meses. Sendo atendidos não somente pelos pediatras intensivistas, mas por toda uma equipe de fisioterapeutas, fonoaudiólogo, oftalmologista, psicólogo, ecografista, assistência social, nutricionista e demais especialidades médicas quando for necessário”, acrescenta.

A UTI Neonatal atende não somente os prematuros da região de Bagé, mas a todos os demais municípios do estado do Rio Grande do Sul, especialmente da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde dentro das disponibilidades de leito.

Após alta hospitalar, os recém-nascidos de muito baixo peso, peso menor de 1600g, de toda a 7ª região, são encaminhados para o Ambulatório de Seguimento de Prematuros – parceria realizada pela Santa Casa de Bagé e Secretaria Municipal de Saúde, onde são atendidos por uma equipe multidiciplinar composta de neonatologista, pediatra, nutricionista, assistente social, psicóloga, oftalmologista e fisioterapeuta.

O atendimento se realiza no Posto Camilo Gomes, nas terças e quintas-feiras, semanalmente. Comemorando o Dia Internacional da Prematuridade, a UTI Neonatal estará realizando algumas ações. A unidade estará com decoração alusiva ao dia da prematuridade, oferecendo uma mensagem com um brinde a cada mãe de prematuro. Haverá divulgação na mídia sobre a data e bênção a todos os prematuros e familiares, dentro da unidade de terapia intensiva, com o frei João Luís. Uma missa de ação de graças será realizada no dia 17 de novembro

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