ANO: 23 | Nº: 5793

Dilce Helena dos Santos

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Psicóloga
14/11/2017 Dilce Helena dos Santos (Opinião)

Um olhar sobre o suicídio adolescente sem clichês ou respostas fáceis

Assim eu descrevo "Yonlu", o longa-metragem de abertura do Festival de Cinema da Fronteira na edição 2017. O tema já é por si só algo bastante difícil de abordar e sendo baseado em acontecimentos reais como neste filme, torna o desafio maior ainda.
Retrata de modo muito peculiar a realidade na perspectiva emocional de Yonlu, jovem de 16 anos que em 2006 acabou com a própria vida, assistido e incentivado por um fórum de debate sobre o tema na internet.
A grande estimulação intelectual e a overdose de informação que nossos jovens têm hoje não os protege do sofrimento psíquico, ao contrário do que muitos pais poderiam supor, os deixa mais vulneráveis ainda, pois há um enorme desequilíbrio entre os aspectos cognitivos bastante estimulados e os emocionais compatíveis a idade, ou seja, imaturos. Dessa forma procuram solucionar seus dilemas nem sempre com pessoas confiáveis ou em relacionamentos reais. Nessa fase da vida é bastante normal o medo de errar e ser criticado, de ficar exposto, de sentir a humilhação dos olhares não serem de aprovação na sua direção, de estar no centro das atenções e não por um motivo que os orgulhe. Por essa razão a internet parece um território seguro para mostrar vulnerabilidades, dúvidas e dilemas, sem estar de fato exposto, lamentavelmente isso não é verdade, a probabilidade de procurar ajuda e encontrar o oposto é muito grande.
O filme protagonizado por Thalles Cabral, dirigido e roteirizado por Hique Montanari é envolvente, tenso e honesto. Utilizando a linguagem da poesia, música e ilustrações do próprio personagem central, incluindo diálogos com o psiquiatra, o que vai desvendando sua personalidade exuberante de jovem em plena descoberta do melhor e pior do mundo, enquanto é atormentado por evidente crise depressiva e toda gama de conflitos típicos da idade.
É um relato forte, um alerta para jovens, pais e profissionais da área da saúde mental para o fato de que o sofrimento é, por vezes, muito forte, profundo e o pior, nem sempre evidente. O isolamento social pode estar empurrando nossos jovens em busca de ajuda para a beira do abismo. Em entrevista de alerta, depois do fato consumado, disse o psiquiatra: Na hora do desespero ele procurou conselho e ao invés de um abraço recebeu um empurrão.
Para todos, que como eu, sente calafrios com esse tema, e por isso mesmo precisamos conhecer mais e dissipar ideias equivocadas, fica o convite: dia 15 de novembro, 14 horas, no Teatro de Santa Thereza exibição do filme Yonlu e, ao final, um bate-papo com o ator e diretor.

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