ANO: 25 | Nº: 6312

Fernando Risch

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Escritor
17/11/2017 Fernando Risch (Opinião)

Ainda não fui ao Festival Internacional de Cinema da Fronteira

É impressionante a nossa capacidade, como seres humanos, de criar desculpas. Inventamos as mais diversas mentiras para justificar nossas preguiças; ou usamos dos mais estranhos fatos cotidianos como alicerce para não sairmos de casa e depois proferir desculpas vazias. Fato é que eu ainda não fui ao Festival Internacional de Cinema da Fronteira. E isso é vergonhoso.

Por exemplo, no momento em que escrevo essas linhas, é quinta-feira, no caso ontem, caso você esteja agarrado no jornal de sexta. São 16h25min. Eu estava louco para assistir Aurora 1964, mas não fui. A sessão ocorreu às 14h30min. Não fui porque tinha que escrever este texto, este mesmo que você está lendo e achei que não daria tempo. Agora, já percebi que dava tempo, mas criei uma desculpa.

Na quarta-feira, também, num feriado de sol radiante, eu estava ansiado para assistir Yoñlu, mas não fui. Justifiquei a mim mesmo que havia acordado tarde e não sei mais o que lá. Nem eu consigo me convencer. À noite, a sessão de Bio, de Carlos Gerbase, foi indicada diretamente pelo meu amigo Zeca Brito, que disse que eu teria de assistir àquela obra. Mas também não fui. Não lembro ao certo por que. Ainda bem que o Zeca não lê meus textos, só lê os títulos e me critica.

O tempo não está ajudando nesta quinta-feira, mas para quem usa tudo como desculpa, é quase uma sentença. Na sexta-feira, vai fazer sol e eu prometo minha presença. Talvez você esteja com um exemplar do MINUANO lendo ao meu lado, em Santa Thereza, e poderá atestar tal fato. Caso não me conheça, procure pelo jovem judiado de cabelos grisalhos. Tem uma foto ali em cima, no cabeçalho.

Fato é que, assim como eu, muitas pessoas também criam desculpas para não sair do lugar. Seja muito sol ou muita chuva, estamos sempre tentando criar uma barreira que nos mantenha nessa inércia. Hoje, é sexta-feira, ainda não fui ao Festival Internacional de Cinema da Fronteira, mas eu irei. E você, por favor, faça como eu e compareça. Não crie desculpas e aproveite essa grande oportunidade cultural que nos brinda em todos os novembros em Bagé.

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