ANO: 25 | Nº: 6352

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
18/11/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Não amemos com palavras, mas com obras

“Qual é o meu pensamento? Eu vejo Jesus em cada ser humano. Eu digo para mim mesma: este é Jesus com fome, eu tenho que alimentá-lo. Este é Jesus doente. Este tem lepra ou gangrena; eu tenho que lavá-lo e cuidar dele. Eu sirvo porque amo Jesus” (Santa Madre Teresa de Calcutá).
Neste 33º domingo do tempo comum, já quase o final do Ano Litúrgico, temos presente o Evangelho de Mateus (25,14-30), com seu chamado discurso escatológico e o convite à justiça do Reino de Deus. Celebramos, também, em toda a Igreja, o Dia Mundial dos Pobres.
A nós são confiados os talentos para a missão de cada um no mundo, na Igreja, na comunidade e na família. A parábola dos talentos fala não da parusia, mas sim do prazo que nos é dado para fazer frutificar o que recebemos de Deus em favor do bem comum. Ela se refere ao tempo que se chama “hoje” em vista do dia de amanhã.
Trazemos presente alguns trechos da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Pobres: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade (1Jo 3,18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir.
O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. É bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (1Jo 4,10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (1Jo 3,16).
A oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha a prova da sua autenticidade evangélica. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia.
A pobreza interpela-nos todos os dias. Ela tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. A pobreza é fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada.
Este dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade.
Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso acessível, uma forma concreta para acolher e viver a essência do Evangelho”.
Quais são os talentos que Deus nos confiou? O que estamos fazendo com eles? Fazendo frutificar em vida para os outros ou enterrando-os por medo ou omissão? Com certeza um dia vamos querer ouvir esta frase do Senhor: “Vem participar da minha alegria”. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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