ANO: 26 | Nº: 6543
23/11/2017 Campo e Negócios

Embrapa apoia desenvolvimento de políticas públicas contra carrapato e Tristeza Parasitária Bovina

Várias discussões em torno do tema carrapato bovino vêm sendo feitas, ao longo dos últimos anos, no estado do Rio Grande do Sul. Em 2012, a Embrapa Pecuária Sul promoveu o encontro entre pesquisadores e docentes da área de controle parasitário buscando alinhar ideias e unir forças para a problemática do carrapato e de outras parasitoses. Quatro anos depois deste encontro, profissionais especializados no tema de controle do carrapato bovino e da tristeza parasitária bovina se uniram à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do estado (Seapi) para auxiliar no planejamento, gestão e execução de ações que apoiem produtores e técnicos no encontro de soluções para os problemas enfrentados nas propriedades rurais.
Em 2016, foi publicada uma portaria formalizando a atuação deste grupo, intitulado Grupo Técnico do Carrapato, composto por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), Unipampa, UFRGS, Urcamp, UFPel, UPF, técnicos da Seapi, CRMV/RS e pesquisadores aposentados destas instituições. “Em 2016, o grupo se reuniu para definir estratégias de ação e desde o início de 2017, o grupo tem realizado cursos para o aperfeiçoamento de técnicos no tratamento do problema. Temos que usar de forma eficiente e estratégica as formas de controle disponíveis para minimizar o problema do carrapato, daí a importância do aperfeiçoamento de veterinários para o acompanhamento técnico de qualidade”, conta a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Cláudia Gulias Gomes.
O quinto encontro, promovido pelo Grupo Técnico do Carrapato, foi realizado entre os dias 10 e 11 de outubro, na Embrapa Pecuária Sul. A partir de 2018, o grupo irá focar em capacitações para médicos veterinários autônomos e extensionistas rurais. Além das capacitações, entre as estratégias de controle estadual do carrapato bovino estão a padronização das técnicas de diagnóstico de resistência a carrapaticidas (biocarrapaticidograma) entre as instituições colaboradoras e a promoção destes testes oferecidos por meio desta rede de laboratórios credenciados. O biocarrapaticidograma é oferecido por universidades e laboratórios e, de forma gratuita, pela Embrapa Pecuária Sul e pelo IPVDF.
O objetivo da rede de laboratórios é facilitar a realização de testes que demonstrem qual acaricida funciona ou não, de acordo com cada caso, em vez de escolher um produto aleatoriamente para tratar o carrapato. Outro obstáculo a ser transposto, segundo o coordenador do grupo, Ivo Kohek, da Seapi, é a subnotificação de casos de Tristeza Parasitária Bovina (TPB). Entre 2009 e 2016, foram notificadas 10 mil mortes por ano causadas pela doença. “Consideramos que estas 10 mil mortes anuais por TBP notificadas na secretaria representam um número muito aquém da realidade, pois a maioria das mortes de bovinos não é devidamente diagnosticada por meio de um exame específico para tristeza”, conta o coordenador. “Em 2015, tivemos 351 mil notificações de óbitos sem diagnóstico, mais outras 115 mil, em 2016. Precisamos saber quais entre essas 460 mil mortes são de TPB, para que possamos começar a computar”, explica Kohek.
De posse de um número preciso de mortes causadas pela doença, poderiam ser fomentadas melhores políticas públicas para controlar e reverter a situação no Estado. De acordo com uma pesquisa realizada em uma dissertação no curso de mestrado do IPVDF, cerca de 50% das compras de acaricidas são feitas por indicação de balconistas de loja veterinária. “Isso está totalmente errado, pois quem vende tem os interesses comerciais. Nós temos de parar de estimular essa cultura de use aquilo que eu usei, ou use aquilo que a internet está vendendo. Por isso a importância de usar o biocarrapaticidograma para pautar a escolha do acaricida e ter a orientação técnica qualificada”, salienta Kohek. “Cada caso de propriedade com carrapato é único e o tratamento deveria ser pensado não somente pelo viés produtivo. Se o produtor quiser mesmo reverter uma situação problemática de carrapato, às vezes é preciso que seja feita uma operação violenta de manejo na propriedade. Sem isso não tem como resolver muitos dos casos”, garante o professor da Urcamp Guilherme Collares, que é um dos integrantes do Grupo Técnico do Carrapato.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...