ANO: 26 | Nº: 6542
27/11/2017 Cidade

Esporte paralímpico bajeense: uma potencialidade pouco explorada

Foto: Yuri Cougo/Especial JM

Equipe  participa anualmente dos jogos nacionais
Equipe participa anualmente dos jogos nacionais

Mesmo com os constantes resultados positivos dos atletas brasileiros, o esporte paralímpico não tem o mesmo reconhecimento que as demais modalidades. Na Rainha da Fronteira, não é diferente. A cidade conta com esportistas de alto índice técnico, com histórias de mudanças de vida através do esporte. Para comprovar o argumento de que Bagé pode ser considerada uma cidade com destaque no cenário desportivo, seguem três exemplos de inspiração para jovens que desejam trilhar o mesmo destino.


Um campeão mundial de natação
De Bagé para o ouro nas piscinas. Uma das referências da natação paralímpica brasileira, Roberto Alcalde, 25 anos, nasceu com má formação na coluna. Quando atingiu oito anos, ficou cadeirante. No entanto, desde os oito meses, Alcalde utilizava o nado como forma de fisioterapia. E a prática passou a valer muito mais do que diversão e tratamento de saúde, quando assistiu à Paralimpíada de Atenas, na Grécia, em 2004. Nesse momento, despertou o sonho de se tornar um atleta. “Aos 14 anos, minha família e eu fomos para Florianópolis, em busca de mais oportunidades para mim. Lá, comecei a nadar para competir”, lembra.
O bom retrospecto o levou para a seleção brasileira em 2008. Logo de cara, alcançou o título mundial da categoria júnior. Em 2010, Alcalde é convocado pela primeira vez para a seleção adulta. Três anos depois, alcançou a medalha de ouro, no mundial dos 100 metros peito, em Montreal (Canadá). Na última edição da Paralimpíada, em 2016, no Rio de Janeiro, o atleta ficou em quinto. “Tudo que faço tem como objetivo o esporte. Somos uma grande potência no paradesporto, mas temos muito ainda a crescer. Vejo que o esporte é uma das melhores formas para mostrar que a prisão não é a deficiência, mas sim, a visão que temos sobre ela”, frisa.


As conquistas de “peso” de Marcos Berta
Com oito anos dedicados ao esporte, Marcos Berta, 51 anos, ostenta um cartel, no levantamento de peso, de oito títulos mundiais, nove brasileiros e oito sul-americanos, por torneios da Confederação Brasileira dos Atletas de Força (Conbrafa), Associação Mundial de Levantamento de Peso e a Global Powerlifting Aliance (GPA). Morador do Morgado Rosa, Berta teve, no esporte, a oportunidade para reafirmação na vida, após um acidente que o deixou com apenas 15% da visão.
Mesmo com o extenso currículo de títulos, Berta depende exclusivamente do apoio de empresas para que possa viajar. Inclusive, utiliza o passe livre para transitar de ônibus pelo país. “O deficiente é descriminado. Muita gente fala que é exagero, mas há discriminação, sim. O esporte paralímpico tem pouco apoio no Brasil, e é o que dá mais resultados para o País”, enfatiza. Em termos de qualidade de vida, Berta evidencia a mudança após ter se tornado atleta. “Não tenho vergonha de dizer. Antes, eu bebia muito. Passava nas casas de jogos e não dava valor para a família. Hoje, não vivo sem o esporte e os meus familiares”, conclui.


A Apae como referência na bocha

Poucos sabem, mas a equipe de bocha da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bagé é referência nos jogos estudantis. Desde 2012, a atividade é coordenada pelo professor Guilherme Velloso Júnior. A partir de 2013, a equipe sempre esteve representada nos Jogos Paralímpicos Brasileiros. Os primeiros foram Aírton Lucas (Kiko) e Gabriel Leite, em 2013 e 2014, seguidos de Andressa Maurente e Daniela Marinho (2015) e Daniela Marinho (2016 e 2017). Velloso Júnior, por sua vez, foi técnico da delegação gaúcha em quatro ocasiões. “No início, jogávamos com bolinha de tênis. Com o apoio do Sesi, compramos um kit de bocha. Ver um cadeirante de rodas jogando me inspira. Eles não faltam treinos”, observa o professor.
Um exemplo é Kiko. Entusiasmado, o jovem relata que a bocha transformou sua vida. “Comecei e não saí mais. Sem ele (Guilherme) eu não chegaria a lugar nenhum. Já fui para várias cidades”, pontua. Mãe de Kiko, Jane Lucas agradece o trabalho feito na Apae. “O Kiko tem muito mais disciplina. Antes, nem falava muito. É um orgulho. Só nós sabemos o que passamos”, finaliza.

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