ANO: 24 | Nº: 6083

Daiane Lima

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Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem de esportes do Jornal MINUANO.
01/12/2017 Universo Pet

Como não ser liderado por seu cão

Foto: Divulgação

Muitos tutores de cachorro sabem como é difícil educar seus pets para não destruir móveis, fazer buracos no chão ou, simplesmente, obedecer a ordens simples como um “não”. Para o adestrador Marcus Mendes, de 46 anos, que há 25 anos trabalha na área, em 90% dos casos, o maior problema na educação dos pets é o comportamento do próprio tutor.
Mendes explica que é importante saber que os cachorros nascem com sua personalidade, que se manifesta antes mesmo que os filhotes abram seus olhos. Eles podem ser considerados alfa, ou seja, líderes natos; ômega, os mais facilmente “dominados”, ou beta, aquele que estaria entre os dois extremos. O profissional ressalta que a personalidade independe de raça e tamanho. Assim, em uma ninhada de rottweilers ou pinschers vai haver alfas e ômegas.

Educação e adestramento para o amigo de quatro patas
A personalidade dos animais já pode ser vista desde o começou da vida, enquanto ele ainda está na ninhada. O adestrador explica que os líderes avançam sobre a comida e, quando o leite em uma das mamas acaba, eles podem empurrar os irmãozinhos. Aqueles que aceitam tal comportamento são os ômega ou beta.
Assim, ele relata que é possível escolher um cão mais obediente ou mais agitado (e de difícil dominação), apenas observando a ninhada. Quando o futuro tutor se aproxima (assim como qualquer estranho), o líder é aquele cachorrinho que corre para cheirar e conhecer quem está chegando, enquanto os ômegas são os que se afastam.
Além da personalidade, há diferentes tipos de comportamento em cada cachorro. O comportamento por natureza – de disputa de território, por exemplo, comum a todos; o comportamento por raça – como latir pouco ou muito; e o comportamento adquirido. Este último envolve a relação com o tutor e as permissões que o cão ganha na casa – seu território.
Para Mendes, a humanização dos animais é um dos grandes problemas para a educação dos pets. Ele também ressalta que é necessário entender a linguagem corporal do seu amigo e entender um pouco de psicologia canina. “É preciso entender o comportamento dos animais e como eles veem as coisas”, explica.
É necessário que o cachorro veja, no tutor, o líder da matilha. Caso contrário, ele não obedecerá a seus comandos. Este tipo de situação pode ser ainda mais difícil em cães de porte grande, que possam demonstrar agressividade.
O adestrador esclarece que a mãe, logo após o nascimento da ninhada, carrega os filhotes pelo pescoço e pune os filhos também balançando-os pelo pescoço, sem machucar. Desta forma, na hora de educar seu pet, o tutor deve imitar os movimentos da mãe. Mendes informa que, após ser punido, o filhote tentará novamente sua ação, seja pegar um chinelo, morder ou fazer um buraco, por exemplo. Mesmo assim, o tutor deve repetir a repreensão até que o cachorro entenda que é mais fraco. “É um jogo e o proprietário tem que vencer sempre. O cachorro vai tentar dominar e repetir o que fez”, conta. Mendes conta que um tapa, que poderia significar uma repreensão para um humano, representa somente uma agressão para o cachorro e não funciona.
No momento em que está punindo , o tutor também deve usar voz firme, ter olhar fixo – já que desviar o olhar poderia significar fraqueza, e escolher uma palavra, como o “não”, por exemplo. Com o tempo, o filhote acaba fazendo associações, e, assim que escutar seu tutor o repreendendo, vai obedecer.
O animal também precisa receber estímulo positivo quando faz algo certo, para associar determinadas atitudes ao prêmio. O estímulo pode ser um petisco ou carinho. Isto vale também na hora de ensinar o local correto para fazer xixi e cocô. “É preciso tempo e paciência”, destaca o adestrador.
Os cães vivem em hierarquia e disputam território naturalmente. Assim, quando outra pessoa começa a frequentar a casa, é melhor que seja apresentada por um dos integrantes da matilha. A regra vale também para bebês. As crianças devem ser apresentadas ao cachorro, com cuidado, para que ele entenda que o grupo tem, agora, um novo membro, e não um invasor.
Todas estas dicas fazem parte da educação dos animais e são diferentes do adestramento, que é quando um movimento natural do animal recebe um código. O adestramento pode ser de duas formas: forçamento e por instintos. No primeiro, o tutor precisa forçar o movimento, enquanto fala o comando, e premiar o animal quando ele o fizer. No adestramento por instintos, o tutor deve aguardar que animal faça a ação – como sentar, por exemplo – para que dê o estímulo positivo ao seu pet. Este último pode ser mais prazeroso para o animal, mas é bem mais difícil e demorado.
Sobre a dificuldade no trabalho de adestramento, Mendes fala que há regras, mas os animais podem ser imprevisíveis, ou seja, ele pode correr perigo ao tentar adestrar um cachorro adulto de porte grande, por exemplo.
O profissional também ressalta que o tutor é a maior dificuldade, por nem sempre entender como funciona a educação ou adestramento de seu pet e, algumas vezes, nem completam o processo.
Além disso, ele também afirma que a profissão nem sempre é reconhecida. “O adestrador tem família e contas para pagar e são trabalhadores como os outros”, destaca, enquanto lembra as vezes em que recebeu ligações para fazer alguns trabalhos sem custo.

Mendes tem curso de formação de cães farejadores, para descoberta de entorpecentes; para formação de policiamento ostensivo em residências ou empresas e, atualmente, faz um curso, em Santa Catarina, com certificação internacional, para busca, captura e resgate em trilhas.

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