ANO: 23 | Nº: 5813

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
04/12/2017 Caderno Minuano Saúde

Prevenção e conscientização sobre HIV/Aids

Foto: Divulgação

Teste rápido já é disponibilizado no Sais
Teste rápido já é disponibilizado no Sais

O Dia Internacional da Luta contra a AIDS é comemorado anualmente em 1º de dezembro. A data tem o objetivo de conscientizar a população sobre uma das doenças que mais mata no mundo: a AIDS.

Além de informar as pessoas sobre os sintomas, perigos e formas de se prevenir da doença, o Dia Mundial de Luta contra a AIDS também tem a função de auxiliar no combate contra o preconceito que os portadores de HIV (vírus humano de imunodeficiência) sofrem na sociedade por causa da doença.

A sigla AIDS vem do inglês Acquired immunodefiecience syndrome, que em português significa “Síndrome da Imunodeficiência Adquirida”. O vírus da AIDS (HIV) destrói as células brancas do organismo, responsáveis por proteger e combater doenças no corpo humano.

Com a destruição das defesas do organismo, o corpo fica bastante fragilizado e propício a ser atacado por inúmeras doenças, como pneumonias, infecções, herpes e até mesmo alguns tipos de câncer.

O Dia Mundial de Luta contra a AIDS foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), em uma assembleia realizada em outubro de 1987.

O governo brasileiro, através do Ministério da Saúde, começou a promover campanhas de apoio ao Dia Internacional de Luta contra a AIDS desde 1988.

Nesta edição os servidores do Serviço de Atenção Integral á Sexualidade (Sais) explicam o que é oferecido, como combater a doença e dão informações sobre essa questão de saúde pública.

 

Como é transmitido o vírus

Conhecer o quanto antes a sorologia positiva para o HIV aumenta muito a expectativa de vida de uma pessoa que vive com o vírus. Quem realiza testes anti-HIV com regularidade, busca tratamento no tempo certo e segue as recomendações da equipe de saúde ganha muito em qualidade de vida. Além disso, as mães que vivem com HIV têm 99% de chance de terem filhos sem o HIV se seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto. “Por isso, se você passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido ou compartilhado seringas, faça o teste anti-HIV. O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue. No Brasil, temos os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública”, informa a enfermeira Milena Ferreira, da unidade de Bagé.

Os exames podem ser feitos de forma anônima, destaca a profissional. Nessas unidades, além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento, para facilitar a correta interpretação do resultado pelo(a) usuário(a).

Em todos os casos, a infecção pelo HIV pode ser detectada em pelo menos 30 dias, a contar da situação de risco. Isso porque o exame (o laboratorial ou o teste rápido) busca por anticorpos contra o HIV no material coletado. Esse período é chamado de janela imunológica.

 

Assim se pega:

•             Sexo vaginal sem camisinha;

•             Sexo anal sem camisinha;

•             Sexo oral sem camisinha;

•             Uso de seringa por mais de uma pessoa;

•             Transfusão de sangue contaminado;

•             Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;

•             Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

 

Assim não se pega:

 

•             Sexo, desde que se use corretamente a camisinha;

•             Masturbação a dois;

•             Beijo no rosto ou na boca;

•             Suor e lágrima;

•             Picada de inseto;

•             Aperto de mão ou abraço;

•             Sabonete/toalha/lençóis;

•             Talheres/copos;

•             Assento de ônibus;

•             Piscina;

•             Banheiro;

•             Doação de sangue em bancos de sangue credenciados;

•             Pelo ar.

 

Sintomas e fases da Aids

Quando ocorre a infecção pelo vírus causador da Aids, o sistema imunológico começa a ser atacado. E é na primeira fase, chamada de infecção aguda, que ocorre a incubação do HIV (tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais da doença). Esse período varia de três a seis semanas. E o organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida.

A próxima fase é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus. Mas isso não enfraquece o organismo o suficiente para permitir novas doenças, pois os vírus amadurecem e morrem de forma equilibrada. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.

Com o frequente ataque, as células de defesa começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. O organismo fica cada vez mais fraco e vulnerável a infecções comuns. A fase sintomática inicial é caracterizada pela alta redução dos linfócitos T CD4+ (glóbulos brancos do sistema imunológico) que chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue. Em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades. Os sintomas mais comuns nessa fase são: febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.

A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a Aids. Quem chega a essa fase, por não saber da sua infecção ou não seguir o tratamento indicado pela equipe de saúde, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. Por isso, sempre que você transar sem camisinha ou passar por alguma outra situação de risco, procure uma unidade de saúde imediatamente, informe-se sobre a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e faça o teste.

 

Trabalho do Sais

O serviço existe há anos, e com o passar do tempo evidenciamos que a tendência é só aumentar a nossa demanda, tanto por Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST's), quando por HIV e hepatites virais. A atual equipe é composta por:

             3 Médicos

             2 Enfermeiras

             2 Eécnicas em Enfermagem

             1 Farmacêutica

             1 Assistente social

             Recepcionista;

             Auxiliar administrativo;

             Serviços gerais;

             Motorista.

Atende diariamente mais de 50 pessoas para os mais diversos serviços que ofertamos.

“Somos responsáveis pelo atendimento de pacientes pertencentes a toda 7ª Coordenadoria Regional de Saúde (7ª CRS), que abrange os municípios de Bagé, Hulha Negra, Lavras do Sul, Dom Pedrito, Candiota e Aceguá. No entanto, por escolha pessoal de pacientes, atendemos outros municípios que não fazem parte da regional, como Santana do Livramento, Santa Maria, Porto Alegre, Pinheiro Machado, dentre outros”, comenta a enfermeira.

 

Atendimentos no momento

- Gestantes em 2017: 03 (no momento)

- Crianças em 2017: 09 (no momento)

- Casos de HIV em 2016: 25

- Casos de HIV no primeiro semestre de 2017: 20

- Casos de Aids em 2016: 111

- Casos de Aids no primeiro semestre de 2017: 56

- Casos de sífilis adquirida em 2016: 72

- Casos de sífilis adquirida no primeiro semestre de 2017: 126

- Casos de sífilis em gestantes em 2016: 56

- Casos de sífilis em gestantes no primeiro semestre de 2017: 33

- Casos de sífilis congênita em menores de 1 ano em 2016: 04

- Casos de sífilis congênita em menores de 1 ano no primeiro semestre de 2017: 06

- Testes rápidos feitos no município em 2017: 2.918

- Média de atendimentos médicos diários: 40

 

De acordo com a farmacêutica Ana Paula Dutra, a farmácia do Sais dispensa medicamentos ARV pelo período da manhã aos usuários do município e região. Além dos ARVs, disponibilizamos medicamentos para as IST's e infecções oportunistas que também fazem parte da lista da farmácia básica do município. “Após o diagnóstico médico e exames realizados na unidade, o usuário é encaminhado com receita médica para a farmácia onde é realizado um cadastro do mesmo e a dispensação dos medicamentos gratuitamente. Cabe salientar que o cadastro é feito individualmente, de forma privativa e somente o paciente autoriza ou não a retirada de medicação por terceiros. Uma vez ao ano é realizada a atualização cadastral. Atualmente, existem medicamentos com bem menos efeitos colaterais, o que facilita a adesão do usuário ao tratamento, resultando em controle do vírus a faixas indetectáveis na corrente sanguínea”, completa.

A médica ginecologista e obstetra Terezinha Ricaldone conta que o número de diagnósticos em gestantes têm aumentado devido à obrigatoriedade do exame no pré-natal. “Salientamos a necessidade de realização dos testes nos três trimestres da gestação. Quando acompanhada a gestante é adequadamente, o pré-natal bem feito garante um recém-nascido livre do vírus do HIV”, ressalta.

A enfermeira Simoni Vaz destaca a importância da realização dos testes rápidos pelo menos uma vez ao ano, para detecção precoce do HIV, sífilis e hepatites. “A disponibilidade da equipe do Sais para a realização dos testes é de segunda a sexta-feira, manhã e tarde, com atendimento em livre demanda. Os resultados são disponibilizados em 20/30 minutos, sendo fornecidos laudos, aconselhamento pré e pós-testes, além de encaminhamentos para exames confirmatórios e consultas médicas com acompanhamento sempre que necessário”, informa.

Conforme a enfermeira Milena Ferreira, o Sais está presente em inúmeras atividades no nosso município, sendo essencial para a logística de insumos de prevenção para todas as unidades de saúde, como preservativo masculino, feminino e gel lubrificante, além de testes rápidos (HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C). Trabalha também com campanhas de prevenção, visitas domiciliares, visitas hospitalares, palestras, atendimento médico, de enfermagem e assistente social, pois não basta estar dentro de uma unidade de saúde e tratar, não fazendo prevenção e promoção de saúde. É preciso divulgar os serviços, a importância dos exames periódicos e o tratamento adequado para as mais diversas IST's, com foco na Aids.

O médico Carlos Jeismann conclui dizendo que no mundo está havendo um certo recuo no número de detecções de casos de infecção por HIV, girando em torno de 10% no mundo inteiro. Já o Brasil, indo na contramão, aumentou este índice em 3%. “Certamente a oferta do teste rápido de HIV no SUS, nas UBS e em tantas outras unidades, como o próprio Sais, Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Serviço de Tuberculose e outros, está sendo cada vez mais abrangente, e cada vez mais sendo oferecido à população. Testamos muitas pessoas e isso certamente contribui para o aumento da detecção do vírus. Por outro lado, a detecção dos casos de HIV têm sido cada vez mais recente, aqueles casos graves de Aids de fato não têm aumentado, pelo contrário, têm diminuído. Temos encontrado cada vez mais casos de infecção pelo HIV em pacientes com a imunidade razoavelmente boa, e isto é muito bom. Em nível local, o que nos preocupa muito é a epidemia de usuários de droga, e o aumento do uso do crack, em especial. Fato este que diminui a adesão adequada dos pacientes ao tratamento. Perdemos muitos pacientes infelizmente nesta situação, pois os mesmos não conseguem se tratar, não conseguem se alimentar, não conseguem muitas coisas e acabam se perdendo, e este fato realmente é o que mais me preocupa", finaliza.

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