ANO: 25 | Nº: 6332
05/12/2017 Editorial

Mês decisivo

Dezembro será de decisão para o setor carbonífero. O futuro das usinas termelétricas pode ser definido dentro de duas semanas, através do leilão de energia do governo federal. O certame interessa a região. O projeto da empresa Ouro Negro, previsto para o município de Pedras Altas, com perspectiva de consumir o insumo produzido pela Companhia Riograndense de Mineração (CRM), na cidade de Candiota, só pode ser viabilizado por meio desse processo. Mas se o êxito depender de vontade política, o desafio será ainda maior.
O Palácio do Planalto comemora o fechamento da Fase B do complexo administrado pela Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), empresa do grupo Eletrobras, como um trunfo ambiental. A preocupação do governo com o setor parece estar associada à perspectiva da redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa. Fica difícil, diante desse cenário, avaliar o destino de empreendimentos avaliados em bilhões de dólares. A discussão, antes centrada na questão tecnológica, agora volta ao primeiro estágio, com novas dúvidas sobre o papel das termelétricas para a matriz nacional.
O precedente não é positivo. Não houve avanço, no terreno político, desde que julho, quando o Congresso Nacional manteve o veto ao programa de modernização de usinas termelétricas a carvão. A medida havia sido criada para beneficiar unidades novas, que podem ser implantadas entre 2023 e 2027. Como contrapartida, previa o emprego de tecnologias que reduzissem em, no mínimo, 10% a emissão de gases do efeito estufa. A definição de regras claras é fundamental para garantir segurança aos investidores. Neste contexto, o próximo leilão servirá de termômetro para medirmos o clima de todo o setor.

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