ANO: 25 | Nº: 6284
09/12/2017 Cidade

Plano de Expansão de Energia prevê modernização das termelétricas de Candiota

Foto: Arquivo JM

Unidades desativas da usina Presidente Médici podem ser substituídas através de programa de modernização
Unidades desativas da usina Presidente Médici podem ser substituídas através de programa de modernização

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, aprovou o Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE 2026). O planejamento é estratégico para a região, porque contempla projetos de modernização de termelétricas a carvão localizadas em Candiota.
As usinas de Charqueadas, São Jerônimo, Jorge Lacerda e as Fases A e B da usina Presidente Médici, administrada pela Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), em Candiota, integram a relação de unidades que podem ser beneficiadas com o PDE 2026.
A aprovação da medida, entretanto, não encerra o debate. O setor deve definir, agora, junto ao governo federal, o formato de financiamento do processo de revitalização. A gaseificação do carvão, prevista no planejamento, também pode beneficiar o município de Candiota.


Desafios
O aproveitamento do carvão mineral para novas plantas esbarra nas dificuldades ambientais e na falta de financiamentos. O planejamento aprovado pelo ministério considera a possibilidade de que novas usinas a carvão possam vir a fazer parte da expansão do sistema, dentro do horizonte decenal, na hipótese de substituição das unidades existentes, com a adoção de “tecnologias para redução da emissão de gases causadores do efeito estufa”.
O planejamento estima que a substituição das termelétricas com baixa eficiência, por usinas mais modernas permitiria um aumento de, aproximadamente, 340 megawatts (MW), o que resultaria em uma potência instalada total da ordem de 1.735 MW. O presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, qualifica o PDE 2026 como “um reconhecimento, do ponto de vista técnico, do potencial do setor para a revitalização”.
Zancan adianta que já existe uma articulação política, através da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Carvão Mineral (que tem o deputado Alceu Moreira, do PMDB, como presidente, e Afonso Hamm, do PP, como vice-presidente). “É muito importante para Candiota, que perdeu duas unidades. Essas usinas podem ser substituídas por uma maior e mais eficiente. É nisso que estamos trabalhando”, afirma.
A costura pelo programa da modernização envolve diálogos com o Ministério de Minas e Energia, Ministério do Meio Ambiente e instituições financeiras. “Estamos dialogando com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para garantir formas de financiamento”, explica, ao salientar que a legislação estabelecida pelo governo gaúcho auxilia neste processo. “A criação dos Polos Carboquímicos e do Pró-Carvão representam uma mensagem para os investidores internacionais, de que o Rio Grande do Sul quer desenvolver o setor. Trabalhamos, inclusive, em uma proposta semelhante para o Estado de Santa Catarina”, adianta.


Precedente

A articulação pela modernização das usinas é antiga. No ano passado, o Congresso Nacional chegou a aprovar uma medida neste sentido. A matéria foi vetada pelo presidente da República, Michel Temer, do PMDB, diante, justamente, da perspectiva de aprovação do PDE. Existe, entretanto, resistências dentro do próprio governo federal.
O veto mantido pelos parlamentares foi recomendado pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, com base em pareceres técnicos. A posição estava atrelada ao risco de comprometer as metas do Acordo de Paris, através do qual, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37%, até 2025, e em 43%, até 2030, tendo como base as estatísticas relacionadas ao ano de 2005.

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