ANO: 24 | Nº: 6185

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
12/12/2017 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Quem está te levando para passear?

Sempre que algo diferente de nossa vontade, consciência, ética ou valores está nos controlando, contrariando e oprimindo, vem-me à mente uma imagem urbana bem frequente. Trata-se daquelas pessoas que saem para levar o cachorro para passear, entretanto só elas pensam que estão no comando, pois quem as conduz é o animal de estimação. Ele que escolhe a hora, o caminho, a velocidade da marcha (alguns são literalmente arrastados num passo mais ligeiro que gostariam), as paradas, tudo.

Fico pensando em quantas situações impostas, permitidas por nós mesmos, é claro, são o equivalente ao alegre labrador que com sua robustez ofegante nos arrasta vida à fora.

- O medo de frustrar os filhos, dando-lhes o poder de decisão sem maturidade, abrindo mão da autoridade que os fariam seguros e resilientes.

- O receio de decepcionar os outros, dizendo sim, enquanto a alma está gritando o limite já ultrapassado.

- Acompanhar as loucuras da moda, mesmo que contra nosso próprio gosto e estilo, só por medo de parecer ultrapassado.

- Demonstrar felicidade constante, embora sozinho no banho as lágrimas fluam sem permissão.

- Cumprir pré-requisitos sociais, mesmo que exausto e sem objetivos autênticos.

- Status quo, beleza, juventude, magreza, carro, casa, férias no lugar certo, mesmo que sirvam somente para estressar-se afim de mantê-los sem nada usufruir.

- A tecnologia, que nos escraviza, nos mantém ligados em tempo integral, informando sobre banalidades e alienados de nosso centro.

- A vida alheia, a opinião alheia representada pela aprovação nas redes sociais.

Estereótipos de todo tipo, politicamente correto, rebelde sem causa, intelectualoide sem leitura ou sem produção. A exigência de militância pode ser uma pressão externa e vazia de significado.

Ou será que do outro lado da coleira que seguramos está o velho hábito, a preguiça, o eterno procrastinar das decisões importantes, de sermos importantes, de ouvirmos a nós mesmos? Ou seria o medo, o pânico ou a ansiedade que estão nos forçando a escolhas tortuosas?

Talvez não seja nenhuma dessas pressões da vida moderna, mas vale a pena pensar um pouquinho e tentar descobrir: Quem está te levando para passear?

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