ANO: 25 | Nº: 6380

Fernando Risch

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Escritor
22/12/2017 Fernando Risch (Opinião)

Não é possível que já seja Natal

Fui estacionar o carro em um horário em que geralmente não há ninguém na rua e não encontrei vaga. Então ouvi alguém dizer: “É o Natal, pessoal deixa pra última hora”. A frase bateu forte. Como assim, Natal? Então eu me dei conta que em dois dias estaremos naquela data de confraternizações, lamentações, uvas passas e cervejas duvidosas.
Que 2017 foi um ano desgraçado, dificilmente alguém negará. Mas quão desgraçado poderia ter sido, ao ponto de me fazer – e talvez fazer você, leitor – esquecer simplesmente que o tempo passa? Pra mim, ainda nem entramos em dezembro. Estamos em julho, acorrentados a um vortex que não nos deixa avançar.
Preocupamos-nos com tanto e remamos contra a maré com tanta força que nem percebemos que, de fato, o tempo não apenas passa, mas corre. Entraremos no Natal pensando no Revéillon e entraremos no ano novo preocupados com problemas que queríamos ter deixado para trás, mas que irão nos acompanhar lado a lado, nos lembrando de suas existências com pontadas de ansiedade.
Ano passado o clima de Natal já estava estranho, sem muito glamour. Acontece em épocas de vacas magras; magras de dinheiro e de espírito. Mas este ano é diferente. O Natal simplesmente não veio. Papai Noel está enjaulado, sendo alimentado por um duende nórdico com paroxetina, fluoxetina e latões de Polar quente.
Não é possível que já seja Natal. De qualquer forma, eu não comprei nenhum presente, obviamente. Acho que vou ter que deixar pra amanhã, em cima da hora. Amanhã, a propósito, é meu aniversário e eu também não percebi. Boas festas.

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