ANO: 24 | Nº: 6161

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
23/12/2017 Airton Gusmão (Opinião)

Natal é vida que nasce

“Anuncio-vos uma grande alegria: Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor” (Lc 2, 10-11).
O Natal é sempre uma celebração que traz, em sua mensagem mais profunda, a presença e a ação amorosa e misericordiosa de Deus entre os homens. Esta é a grande alegria anunciada pelo anjo aos pastores, ou seja, Deus enviou seu Filho, como luz para iluminar a humanidade encerrada nas sombras do pecado: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte, uma luz começou a brilhar” (Is 9,1).
Com o nascimento do menino Jesus, renasce a esperança entre os homens de uma vida nova; esta é a boa notícia que celebramos no Santo Natal. Diante de tantos caminhos que a vida nos aponta, de tantas dúvidas e sofrimentos, de tantos sonhos e aspirações; nos é dado um menino como um novo horizonte capaz de nos recordar quem verdadeiramente somos. Ao olharmos para a beleza e simplicidade do presépio nas nossas casas, comunidades..., recordemos na noite de Natal o quanto Deus se esvaziou para que pudéssemos acolhê-lo e amá-lo; e o quanto este Deus Menino nos ensina que a vida plena não está nas riquezas do mundo, naquilo que podemos comprar e usufruir, mas se encontra onde há simplicidade e pobreza de coração.
A palavra do evangelista que narra o nascimento de Jesus nos revela este grande sentido teológico do Natal, ou seja, Jesus não nasceu nos Palácios rodeado pelos reis e nobres, veio até nós numa simples manjedoura, cercado por pastores e seus rebanhos, pois não havia lugar para a família de Nazaré na hospedaria. Quando estamos “cheios” de nós mesmos, preocupados excessivamente com nossos projetos, nossas intenções, realizamos este mesmo gesto: não há espaço para Deus. Quantas famílias, lugares de trabalho, escolas, quantos corações ainda hoje também não tem lugar para Jesus? Em relação aos imigrantes, aos refugiados, a humanidade hoje não age da mesma forma? Porventura não é o próprio Deus que rejeitamos? Esta é a conversão que necessitamos neste Natal, que se crie no nosso íntimo um espaço para Deus, que saibamos ser vigilantes à sua presença e vontade, a partir de uma vida simples, humilde, capaz de cultivar sempre a justiça, a solidariedade, a mansidão.
O Natal, festa da encarnação, acontece de verdade quando nós, discípulos de Cristo, procuramos ter o seu rosto, a sua sensibilidade humana, seguindo seus passos, seus gestos. O caminho de Belém deve ser também o nosso caminho, somente assim compreenderemos a beleza daquilo que celebramos. “Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, concede-nos a tua salvação” (Sl 85/84).
Na Catedral de São Sebastião celebraremos o Natal às 21h do dia 24 e, no dia 25 acontece a missa de Natal, às 19hs. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Que o Deus Menino abençoe a todos nós e nos dê sempre a sua paz. Um Feliz Natal e abençoado Ano Novo a todos.

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