ANO: 24 | Nº: 6163

Norberto Dutra

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Pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Bagé Doutor em Divindade
23/12/2017 Norberto Dutra (Opinião)

O nascimento de Jesus (Mateus 1.18-25)

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. No mundo todo, o que geralmente oficializa um casamento é a assinatura de um contrato (Ml 2.14). Na cultura judaica, essa aliança verbal era feita um ano antes da consumação do casamento e tinha o mesmo valor de um documento escrito. Foi nesse período de um ano em que Maria estava desposada com José que ela achou-se ter concebido do Espírito Santo.
É deixado bem claro nas Escrituras que Maria era virgem nesta época. Isto é reforçado pelas palavras antes de se ajuntarem (José e Maria), e a concepção virginal, deduzida pelo relato de Mateus, é confirmada de modo bem evidente em Lucas 1.34,35. Maria passou os três primeiros meses de gravidez na Judeia, com sua prima Isabel (Lc.1.36-56). Esta sabia que a gravidez de Maria era algo miraculoso, pois sua gravidez também havia acontecido por uma intervenção divina (Lc.1-39-45).
Depois, quando Maria voltou para Nazaré, José soube que ela estava grávida. Sendo ele um homem justo e, não querendo infamá-la, intentou deixá-la secretamente (Mat.1.19). {Mas foi avisado em sonho para que não o fizesse, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo (v.20).} Respaldado pela lei judaica, revelada em Deuteronômio 24.1, José poderia divorciar-se formalmente de Maria, alegando a infidelidade dela, uma vez que eles já tinham feito uma aliança matrimonial, embora ainda não tivessem consumado o casamento.
Ele poderia ter tornado público o divórcio, ou ter feito isso de uma forma mais discreta na presença de duas testemunhas. Mas como José era justo e piedoso, e como a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. Porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. Os versículos 1 a 17 provam que, legalmente, Jesus era filho de José, mas os versículos 18 a 25 negam que José era o pai biológico de Jesus. Era necessário incluir o nome de José, descendente de Davi, na genealogia de Jesus a fim de enfatizar o direito legal deste ao trono como Rei de Israel.
Contudo, aqui também era necessário esclarecer que Jesus é Filho de Deus, e não de José, tendo em vista Sua missão como o Salvador da humanidade. Assim, Mateus destaca a majestade de Jesus, ao passo que Lucas dá detalhes da miraculosa concepção do Messias pelo Espírito Santo. E lhe porás o nome de Jesus. Jesus significa Yahweh, que é Salvação ou Salvador, e seu equivalente no hebraico do Antigo Testamento é Josué. O fato de José dar esse nome a seu filho é algo muito importante. Quando o pai dava um nome ao filho estava afirmando que este fazia parte de sua família. Isso deu ao Senhor Jesus o direito legal de pertencer à descendência de Davi.
E mesmo que José não tivesse pensado neste nome para a criança, teve de obedecer a Deus. Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel. Essa é uma citação de uma profecia em Isaias 7.14, por meio da qual Isaias consola Acaz, o rei de Judá. Dois reis, Rezim, o rei da Síria, e Peca, o rei de Israel, uniram- se contra Acaz. Mas Isaias diz a Acaz para não temer, pois os planos de seus inimigos seriam frustrados. Como um sinal a Acaz, uma mulher teria um filho, e antes de o menino chegar à idade de discernir o certo do errado {por volta de 12 anos}, esses dois reis não seriam mais uma ameaça para ele. José não conheceu Maria até que ela desse a luz. Este versículo deixa bem claro que Maria permaneceu virgem somente até o nascimento de Jesus.
Os irmãos e irmãs de Jesus depois eram filhos de José e Maria (Mt.13.55,56). E José não poderia ter tido filhos de um casamento anterior, como alguns sugerem, pois assim Jesus não seria considerado herdeiro do trono de Davi se não fosse o primogênito. Até o próximo sábado se Deus quiser. Feliz Natal a todos!

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