ANO: 24 | Nº: 6161

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
28/12/2017 João L. Roschildt (Opinião)

Millennials, centennials, Y, Z...

Existe certa tendência contemporânea em desprezar o que é antigo em prol do novo. Isso pode ser vislumbrado nas mais diversas atividades humanas e nos atos de convivência social. O velho, o idoso e o tradicional são comumente vistos como um estorvo para a aplicação da novidade e do progresso. Assim, década após década, a nova geração é sempre vista como a guardiã de uma vindoura era dourada que, paradoxalmente, nunca chega(rá). O depósito do “outro mundo é possível” ou do paraíso terreno está sempre nas mãos dos novos. Não à toa, progressistas são apaixonados pelo vigor da juventude (e suas gerações Y, Z, millennials e centennials) em detrimento das “carcomidas” estruturas da tradição.

A Caixa Econômica Federal, em recente campanha para o final de 2017, exibiu uma peça publicitária enaltecendo a geração do terceiro milênio. Nela, é afirmado que, apesar desses jovens terem nascido na era digital, eles sabem que é importante valorizar os indivíduos, sendo tolerantes e responsáveis. A propaganda segue dizendo que alguns duvidam dessa geração (para a Caixa, há uma mistura de millennials com centennials), chegando ao ponto de afirmar que eles não estariam preocupados com nada e que não teriam futuro. A Caixa responde a tais acusações como se fosse um membro dessa geração, asseverando “logo eu, que sou o futuro, que me preocupo tanto com as próximas gerações. [...] Hoje eu sei o que eu posso fazer e o que eu posso acreditar”. Para um país que está envelhecendo a passos largos, a aposta de marketing em bajular o dinheiro dessas gerações parece muito ideológica e pouco pragmática. Mas será que essas novas gerações representam tudo o que afirmou a Caixa? Podemos ter a certeza de que elas personificam, finalmente, o anúncio da elevação espiritual prometida?

O Washington Times publicou uma pesquisa, em 04/11/2017, realizada com millennials, a respeito das impressões políticas que eles têm para com o socialismo/comunismo. Dos 2.300 participantes norte-americanos, acima dos 16 anos, 58% dos membros dessa nova (ampla) geração preferem viver em um regime socialista ou comunista, enquanto 42% preferem o capitalismo. “Logo eles”, que aproveitam os benefícios da liberdade “como nunca antes na história”, desejam regimes que não prezam pela liberdade. E mais: 31% dos millennials são favoráveis às ideias de Che Guevara, 32% com as de Karl Marx, 23% com as de Lênin e 19% com as de Mao Tsé-Tung. Mas como essa geração é muito “responsável” e “preocupada” com as gerações vindouras, “somente” 6% concordariam com as ideias de Stálin. Um espetáculo de “consciência”. Percentuais significativos e bastante diferentes do restante da população dos EUA, que buscam rechaçar qualquer prática contrária à liberdade.

Marion Smith, diretora executiva do instituto que fez a pesquisa, destacou que esses resultados são fruto das falhas do sistema educacional em mostrar “o genocídio, a destruição e a miséria causados pelo comunismo desde a revolução bolchevique de cem anos atrás”. Para quem conhece minimamente essas gerações e sua mentalidade de youtubers, sabe que o resultado não surpreende e mostra um futuro nebuloso. Ou a suposta tolerância dessa geração combina com regimes totalitários e seus grandes líderes? Mas “logo eles”, tão conscientes e herdeiros da liberdade, odeiam a liberdade?

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