ANO: 25 | Nº: 6357

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
30/12/2017 Caderno Minuano Saúde

A prevenção de doenças com o auxílio dos exames de imagem

Foto: Divulgação

Mamógrafo também é utilizado para prevenção de câncer
Mamógrafo também é utilizado para prevenção de câncer

O aumento da expectativa de vida fez a população perceber a importância e a necessidade do cuidado com a saúde. Observa-se que as pessoas buscam prevenir o aparecimento de doenças e também procuram o diagnóstico precoce de patologias com o objetivo de melhorar a condição de saúde. E no âmbito profilático, a vida saudável encontra guarida na medicina moderna que preconiza a qualificação permanente e o suporte dos exames de imagem para a detecção precoce das doenças.

A radiologia está em constante renovação e incorporação de novas tecnologias, sempre visando aprimorar os diagnósticos. Os exames complementares (como são chamados) estão ajudando na antecipação dos tratamentos e, consequentemente, aumentando as chances de cura.

Entre os métodos de imagem disponíveis estão o raio-X, ultrassonografia, mamografia, cintilografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, PET-CT e densitometria óssea. Cada um deles com um objetivo e técnica diferentes, porém, todos devidamente condicionados para promover diagnósticos bastante precisos.

Nesta edição, a médica radiologista Alice Araújo Salis alerta para a prevenção com o auxílio dos exames de imagem.


Tipos de exames

Quando se fala especificamente da saúde da mulher, a mamografia é o exame de escolha para o diagnóstico do câncer de mama, sendo esta neoplasia a segunda mais comum entre as mulheres, no mundo e no Brasil, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano (Inca). O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Os relatórios da Sociedade Americana do Câncer mostraram que o diagnóstico através da mamografia pode reduzir a taxa de mortalidade em 31%; índice considerado excelente no contexto de uma doença fatal e com alta incidência.

No Brasil, recomenda-se que uma vez ao ano, as pacientes com mais de 40 anos devam realizar a mamografia. É importante observar que não existe um método perfeito para diagnosticar todos os cânceres de mama, no entanto, a mamografia continua sendo um dos melhores e mais confiáveis até os dias de hoje.

De acordo com Alice, a mamografia é capaz de detectar lesões muito pequenas, inclusive não palpáveis, identificando alterações que podem indicar malignidade, como microcalcificações agrupadas ou não, assimetrias, distorções da arquitetura mamária e nódulos. “Tal método utiliza radiação ionizante, no entanto, a dose para a paciente é muito baixa. Atualmente, o risco de desenvolver qualquer problema devido à radiação utilizada no exame de mamografia é considerado desprezível”, explica.

A ultrassonografia mamária é um complemento da mamografia, principalmente em mamas densas, complementa a médica. “Este exame ajuda, sobretudo, a diferenciar lesões sólidas de císticas. Os outros exames de ultrassom, como abdominal total, transvaginal e tireóide, são solicitados de rotina e também auxiliam na detecção de muitas doenças em estágios ainda incipientes”, acrescenta a especialista.

Não existe uma regra de quando pedir o exame em episódios de pacientes assintomáticas. Muitas vezes, os casos com alteração são achados ocasionais, ou seja, em paciente assintomática que o médico resolveu solicitar por acaso e não porque houvesse sintomas.

Outro método que merece destaque é a utilização do raio-X de tórax em pacientes fumantes, destaca Alice. “Sabe-se que o cigarro é um fator de risco significativo para o desenvolvimento do câncer de pulmão, por isso preconiza-se uma avaliação anual para rastreamento dessa doença (em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco). A última estimativa mundial (OMS), por exemplo, apontou a incidência de 1,82 milhões de novos casos de câncer pulmonar ao ano, sendo 1,24 milhões em homens e 583 mil em mulheres. Altamente letal, a sobrevida média em cinco anos, a partir do diagnóstico, varia entre 13 e 21% em países desenvolvidos e entre 7 e 10% nos países em desenvolvimento”, explica. Alice conta que a densitometria óssea serve para avaliar a densidade mineral do osso.

 

        Algumas indicações

  • Mulheres abaixo de 65 anos, pós-menopausa, que tenham um ou mais fatores de risco;
  • Todas as mulheres a partir de 65 anos, independente dos fatores de risco;
  • Ocorrência de fraturas em mulheres pós-menopausa, principalmente quadril, coluna e punho para investigar osteoporose como fator causal;
  • Mulheres com terapia de reposição hormonal prolongada;
  • Homens acima de 65-70 anos, principalmente com fatores de risco associados;
  • Controle de pacientes com diagnóstico prévio de osteopenia ou osteoporose.

 

A portaria nº 1.327 do Ministério da Saúde passou a incluir a densitometria óssea no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo para sua indicação os seguintes critérios:

  • Evidências radiológicas de osteopenia ou fraturas vertebrais;
  • Diminuição de estatura, cifose torácica;
  • Fratura prévia por trauma mínimo ou sem trauma;
  • Uso prolongado de corticóides;
  • Hipogonadismo em homens e mulheres, incluindo mulheres na pós-menopausa, que apresentem fatores de risco;
  • História materna de osteoporose ou fratura de colo femoral;
  • Índice de massa corporal menor que 19, passando de estados prolongados de baixa ingestão de cálcio;
  • Monitoramento das mudanças da massa óssea decorrente da evolução da doença e dos diferentes tratamentos disponíveis da osteoporose.


Por fim, a médica radiologista exemplifica os exames da área da alta complexidade. “A tomografia computadorizada, o PET-CT e a ressonância magnética têm sido utilizados em larga escala na avaliação de pacientes oncológicos, seja para buscar recidivas ou na avaliação de terapia quimioterápica neoadjuvante e no planejamento cirúrgico. O fato da ressonância magnética não utilizar radiação, torna este método a escolha para aqueles pacientes que precisam se submeter a controles frequentes”, informa.

Vale também denotar a grande importância da ressonância magnética de mama, que apresenta muitas indicações, dentre elas: exame pré-operatório para avaliar a extensão da doença e grau de agressividade conforme características; volume da lesão; envolvimento da parede torácica; câncer multifocal e mama contralateral; mamografia e US indeterminadas; próteses de silicone; acompanhamento de QTX; avaliação pós-cirúrgica (6 meses); e paciente de alto risco.

Concluindo, a especialista em Radiologia salienta que ainda há muita desinformação sobre os exames radiológicos, o que muitas vezes prejudica o bom diagnóstico. “As abordagens preventivas e o cuidado antecipado, corroboram-se sobre a necessária utilização dos exames de imagem e, mediante o acesso efetivo dos médicos solicitantes, às informações referentes às novas tecnologias. Fundamentalmente, os exames de diagnóstico por imagem contribuem para a redução dos índices de mortalidade, pois auxiliam na detecção precoce das doenças, aumentando a sobrevida dos pacientes e proporcionando mais qualidade de vida a todos”, finaliza.

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