ANO: 26 | Nº: 6590
05/01/2018 Editorial

Ainda fora do mapa

Sem a contribuição da Campanha gaúcha, o Palácio do Planalto comemora a liderança no ranking do desenvolvimento das fontes renováveis entre os BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A participação do modal, em solo brasileiro, supera 80%. O volume, entre as nações emergentes, não ultrapassa os 25,3%. O desafio nacional está na geografia. Regiões com capacidade para crescer no setor ainda buscam espaço.
O potencial de Bagé e Candiota para a geração de energia eólica, por exemplo, é reconhecido por planejamentos oficiais do governo do Estado. Os projetos existentes enfrentam desafios estruturais, principalmente para escoar a energia. Mais do que articulação política, a região parece depender de uma revisão no terreno das prioridades, sob pena de perder competitividade.
De acordo com nota divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, a geração nos BRICS atingiu, em 2016, o montante de 9.587 terawatt por hora (TWh). Este volume representa 38,7% da oferta mundial de eletricidade. A maior participação é da China, com 64,6%. O Brasil responde por apenas 6,0% da geração elétrica do bloco. Existe, portanto, muito espaço para expandir. Trata-se de ampliar a geografia da geração.
O Brasil não parece ter uma política muito clara em relação às fontes fósseis, que representam mais de 70% das matrizes energéticas da África do Sul, da China e da Índia. A discussão afeta a região de maneira direta, em função das reservas de carvão de Candiota. Muito pouco, porém, tem sido feito para compensar as perdas locais com esta indefinição – mesmo a região desejando integrar o mapa do modal eólico.

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