ANO: 24 | Nº: 5963

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
06/01/2018 José Artur Maruri (Opinião)

A caverna de Platão

Ao estudar a obra “Viagem Espírita em 1862”, identificamos um trecho em que Allan Kardec relata que o Espiritismo, por sua poderosa revelação, vem apressar a reforma social. Ele diz mais: muitos rirão de tal pretensão.
Ocorre que, como muito bem dizia Jesus de Nazaré, somente ouve quem tem ouvidos de ouvir.
Fato é que, quando nos deparamos com algo assim, somos remetidos a uma figura alegórica bastante conhecida na filosofia. Ela foi descrita ainda na antiguidade, pela obra “República”. Trata-se da “Caverna de Platão”.
O mito ou alegoria fala sobre prisioneiros (desde o nascimento) que vivem presos em correntes numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede do fundo que é iluminada pela luz gerada por uma fogueira. Nesta parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia a dia. Os prisioneiros ficam dando nomes às imagens (sombras), analisando e julgando as situações.
Em dado momento, um dos prisioneiros é forçado a sair das correntes para poder explorar o interior da caverna e o mundo externo e entra em contato com a realidade, percebendo que passou a vida toda analisando e julgando apenas imagens projetadas por estátuas. Ao sair da caverna e entrar em contato com o mundo real ele fica encantado com os seres de verdade, com a natureza, com os animais etc. Ocorre que, ao voltar para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas, ainda presos, acaba ridicularizado, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros o chamam de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias consideradas absurdas.
É inegável que quando nos deparamos com algo novo temos o instinto de repelir, antes mesmo de conhecer, tal e qual como os prisioneiros da caverna.
No mito, os prisioneiros são todos aqueles que enxergam e acreditam apenas em imagens criadas por conceitos, informações e uma cultura que receberam durante suas vidas. Negam veementemente os relatos de fora da caverna, como muitos, ainda hoje, negam a imortalidade do Espírito e se associam ao materialismo.
Segundo Platão, somente poderá ser conhecida a realidade, quando nos libertarmos destas influências culturais e sociais, ou seja, quando sairmos efetivamente da caverna.
O Espiritismo, por sua vez, provando de maneira patente a existência do mundo invisível, alarga o horizonte moral limitado à Terra. A importância da vida corporal diminui à medida que cresce a da vida espiritual.
É chegada a hora de sairmos da caverna em que estamos aprisionados. É preciso que reposicionemos o nosso ponto de vista, porque o que nos parecia uma montanha, não é mais que um grão de areia. Enquanto não conhecermos, estaremos desprovidos de condições de repelir.
“O que ele (espiritismo) faz hoje sobre os indivíduos, fará amanhã, em relação às massas, quando estiver divulgado de maneira geral.” – Allan Kardec.

(Referências: Allan Kardec. Viagem Espírita em 1862. FEB Editora. p. 88-89)

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