ANO: 25 | Nº: 6405
06/01/2018 Cidade

Auditoria cancela mais de 320 benefícios do Bolsa Família em Bagé

Foto: Arquivo JM

Cadastros precisam ser atualizados
Cadastros precisam ser atualizados

Uma auditoria realizada pelo Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de inconsistência cadastral nos dados de 2,5 milhões de beneficiários do programa Bolsa Família. Do total, cerca de 470 mil famílias estavam enquadradas na faixa com renda per capita acima de meio salário mínimo. Nesse caso, os benefícios foram cancelados. Em Bagé, 322 famílias perderam o benefício e 1.033 tiveram os valores bloqueados.
De acordo com o coordenador do cadastro do Bolsa Família em Bagé, Paulo Larrosa, o programa conta com 7.850 famílias cadastradas no município. Ele salienta que os cancelamentos foram realizados diretamente pela União, identificados através do sistema e visitas domiciliares.
Larrosa ressalta que quem teve o benefício bloqueado, precisa realizar o recadastramento diretamente na Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso. “Se as pessoas estiverem empregadas e recebendo, que solicite o desligamento, porque o Ministério Público irá cobrar a devolução dos meses que foram pagos de forma irregular”, enfatiza.


Região
Na região também houve bloqueio e cancelamento dos benefícios. Em Aceguá, 11 famílias tiveram o valor cancelado e 30 bloqueado. Em Candiota, 42 benefícios foram cancelados e 127 bloqueados. Já em Hulha Negra, 46 benefícios foram cancelados e 127 bloqueados.


Irregularidades
O levantamento do Ministério identificou indícios de inconsistência cadastral nos dados sobre cerca de 620 mil famílias enquadradas na faixa com renda familiar per capita de até R$ 170. Por enquanto, esses beneficiários não terão o Bolsa Família cancelado ou bloqueado, mas precisarão fazer o recadastramento, segundo a CGU.
Para chegar aos resultados, a CGU adotou uma nova metodologia de cruzamento de dados envolvendo diversos órgãos e cadastros do governo federal. A nova metodologia foi proposta por um grupo de trabalho formado por representantes da Casa Civil da Presidência da República, do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da CGU, do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e da Caixa Econômica Federal, além do MDS.
Em outra frente de auditoria, a CGU comparou as rendas registradas em outras bases de dados oficiais com as declaradas no Cadastro Único do Bolsa Família, “a fim de identificar famílias que teriam fornecido informações inverídicas”. Foram então apontadas quase 346 mil famílias com “fortes indícios de terem falseado a declaração da informação de renda no momento do cadastro”. De acordo com a CGU, isso representa R$ 1,3 bilhão em pagamentos indevidos para um período de dois anos. Por meio de nota, a CGU acrescenta que, sendo comprovadas as irregularidades, serão abertos processos administrativos e aplicadas “sanções legais, tais como devolução de valor” e a impossibilidade de retorno ao Bolsa Família pelo prazo de um ano.
Das 346 mil famílias que não teriam informado renda existente quando se cadastraram no programa, cerca de 297 mil teriam uma renda subdeclarada entre meio e um salário mínimo; e 34,9 mil teriam renda subdeclarada entre um e um salário mínimo e meio.


Recomendações

Diante desse cenário, a CGU apresentou algumas recomendações para aprimorar os controles relativos ao Cadastro Único. Entre elas a adoção de um processo prévio de verificação das informações declaradas e a regulamentação de critérios de geração de pendências e de invalidação do cadastro das famílias identificadas no processo de averiguação.
O público-alvo do programa é formado, prioritariamente, por 13,5 milhões famílias que vivem em situação de extrema pobreza, com renda mensal por pessoa de até R$ 85, e de pobreza, com renda mensal per capita entre R$ 85,01 e R$ 170. Para receber o benefício é necessário que haja na família crianças ou adolescentes com idade até 17 anos.

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