ANO: 24 | Nº: 5959

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
09/01/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Depois do Natal

Vamos aproveitar que o Natal passou há 15 dias apenas para refletir um pouco.
O presente é um símbolo e como tal tem o papel de unir dois mundos, duas imagens. Ligar um objeto a uma pessoa é dizer sem palavras o quanto ela significa. Ser lembrado no Natal é relacionar a importância da data à pessoa que é presenteada.
Interessante observar que atualmente o excesso de informação e sobrecarga de interações não pessoais impõem lembrar do maior número de pessoas possível. Nossa sociedade deslumbrada com a tecnologia propõe a obrigação de envolver em torno de nossa imagem muitas pessoas mesmo que sem muita profundidade. É a época da quantidade em detrimento da qualidade em mensagens de texto, vídeo, etc. Entretanto, nem sempre essa lembrança é o símbolo do afeto ou da importância da data, muitas vezes está mais relacionada ao desejo egoísta de ser lembrado, ser visto recebendo agradecimentos ou votos de felicidade.
Exagero meu?
Então responda, ainda que somente para si: Quantas mensagens personalizadas, que não puderam ser reaproveitadas, copiadas e coladas ou, ainda, quantas palavras escritas de próprio punho ou enviadas pelo modo confidencial mandaste ou recebeste?
Neste panorama de egos e vaidades, a importância do presente, e do símbolo que é, está em saber dar utilidade e realmente fazê-lo unir dois pontos. Se for uma simples mensagem que realmente comunique algo e amplie o contato verdadeiro entre essas pessoas e seja a ponte para um encontro real. Se for um presente para uma criança que seja o compromisso de encontrar tempo de estar junto para brincar com ela. Se for um livro que indique a vontade de conversar sobre as impressões de cada um ante as ideias do autor, a história, as emoções que brotaram, e por aí vai.
Presentear não é para preguiçosos afetivos, que pagam para que um objeto fale o que não existe no mundo dos afetos ou aquilo que tem receio ou avareza emocional de expressar. O presente aproxima, reúne, comunica e é um compromisso escancarado com o depois, uma conversa, um abraço, um olhar aprofundado, uma caminhada, um café. Do contrário, é apenas vaidade embalada em papel bonito, algo que nada comunica e não aproxima, alguma coisa da qual ninguém lembra mais depois do Natal.

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