ANO: 23 | Nº: 5834

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
10/01/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

O longo caminho pela igualdade

No dia 9 de janeiro, completaram-se 110 anos do nascimento de Simone de Beauvoir, a filósofa e escritora que deu voz à causa feminista, ao abordar de forma aberta a opressão sofrida pelas mulheres em uma sociedade e época fortemente dominadas pelo pensamento androcêntrico (centrado no homem). Simone defendia o direito das mulheres de serem o que desejassem, e não somente aceitar o papel social a elas imposto. Ainda hoje, a obra da filósofa se mostra atual, principalmente quando observamos os desafios diários impostos às mulheres na busca pela igualdade de oportunidades e mesmo pelo direito de manifestar-se sobre suas dificuldades.
Ninguém mais pode dizer que desconhece o desequilíbrio entre homens e mulheres no mercado de trabalho, por exemplo. Apesar de ocuparem cada vez mais posições de liderança em empresas e instituições, a diferença salarial em relação aos homens ainda é uma realidade indigesta. Neste sentido, a Islândia protagonizou na última semana um momento de esperança no sentido de mudar esta realidade, ao aprovar lei que obriga as empresas a certificarem que pagam salários iguais a homens e mulheres que exercem a mesma função. Que mais países mirem-se neste exemplo para ajustarem suas legislações de forma a corrigir esta grave situação.
O Brasil já possui mais mulheres chefes de família. As mulheres trabalham para sustentar suas famílias, às vezes em mais de um emprego, além de absorver as tarefas de administração da casa e cuidado com os filhos. Já tivemos no Rio Grande do Sul um secretário (na gestão Sartori) que declarou ser este um dos motivos para o aumento da violência (mulheres saírem de casa para trabalhar deixando os filhos desamparados). Esta visão, lamentável, infelizmente ainda permeia os círculos de poder. Temer acha que o papel feminino é cuidar do lar e conferir os preços no supermercado. Seus ministérios são ocupados por homens. As políticas públicas de fortalecimento e de combate às desigualdades entre gêneros foram esvaziadas após o golpe de 2016. No Rio Grande do Sul, a Secretaria de Políticas para Mulheres, que desempenhou no governo Tarso um papel fundamental na construção de ações efetivas de proteção e políticas públicas, foi extinta no governo Sartori.
Vemos no Brasil um retrocesso preocupante, que diferente de nos desanimar, nos instiga a lutar ainda mais para recuperar um trabalho que, já mostramos, dá resultados. O Estado e o país precisam valorizar o papel da mulher e dar a ela o devido reconhecimento. Precisamos lutar não somente por salários iguais, mas por mais condições de desenvolvimento, mais respeito, mais dignidade, mais visibilidade, mais espaços, nos setores privado e público. Mais mulheres em cargos estratégicos na administração pública. Quando fui prefeito de Bagé, no período mais realizador de nossa gestão, tivemos um secretariado composto por quase 50% de mulheres. Precisamos de mais mulheres na política, nos centros das decisões, na elaboração de projetos de futuro, de uma nova realidade.
Ainda há muito a conquistar nesta jornada. Resgatar os valores da obra de Simone de Beauvoir nunca foi tão necessário para iluminar o caminho que nos conduza a uma sociedade verdadeiramente igualitária.

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