ANO: 23 | Nº: 5834

Daiane Lima

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Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem de esportes do Jornal MINUANO.
12/01/2018 Universo Pet

página 2 - Ornitose: doença dos papagaios ou doenças das pombas

Luciane Nunes Pereira Suñé

Professora Doutora


A ornitose é uma doença aguda ou crônica de aves silvestres e domésticas, causada por microrganismos Chlamydia psittaci, e se caracteriza por provocar infecção respiratória e sistêmica transmissível a outros animais, inclusive ao homem. Esta doença, que nos psitacídeos (papagaios) recebe a denominação de psitacose e quando acomete os humanos é denominada clamidiose, tem grande importância em saúde pública, sendo os papagaios e os pombos os principais reservatórios da bactéria para o homem e outras aves.

A doença é extremamente grave, de diagnóstico difícil e igualmente de difícil tratamento. Por isso, deve-se tomar cuidados especiais ao manter contato através da saliva, secreções respiratórias, fezes e contatos bico-boca com aves que apresentam suspeita de psitacose ou ornitose.

Os sintomas nos humanos são: febre, mal-estar, calafrios, mialgia, cefaleia, tosse não produtiva e dispneia, podendo levar a pneumonia severa e problemas não respiratórios, como endocardite. Com diagnóstico e tratamento adequado (antibioticoterapia), raramente é fatal.

As aves doentes desenvolvem gastroenterite e septicemia, com alta mortalidade nas espécies mais susceptíveis e índice de mortalidade de até 100%, principalmente em papagaios, periquitos e canários. Em pombos e cacatuas, o índice é de 10 a 50% e em perus, de 5 a 40%.

Quanto à patogenicidade, as clamídias isoladas das aves podem dividir-se em duas categorias: amostras altamente virulentas e amostras de baixa virulência. As amostras de alta virulência causam alta mortalidade, sendo isoladas com maior frequência quando provenientes de perus, ocasionalmente de aves silvestres; são denominadas amostras toxigênicas porque produzem uma infecção fatal nas aves e em animais de laboratório. Em humanos estas amostras estão relacionadas com grave infecção respiratória.

A transmissão ocorre basicamente por contato e, ainda, por aerossol ou ambiente contaminado com secreções e fezes de indivíduos doentes. O microrganismo se multiplica nos pulmões, sacos aéreos, baço, rins, coração e nos intestinos das aves, ocorrendo bacteremia. O germe é eliminado com as secreções nasais e as fezes. O ser humano pode ser infectado principalmente por inalação do agente, quando a urina, secreções respiratórias ou oculares, ou mesmo fezes secas de aves infectadas são dispersas no ar, como aerossóis.

Os pombos apresentam a forma mais crônica da doença, desenvolvendo sinais de conjuntivite, blefarite e rinite e, ao se recuperarem, tornam-se portadores assintomáticos, capazes de acarretar problemas para o homem nas grandes cidades, por isso essa doença é associada à pomba doméstica. O diagnóstico preciso é importante, tanto em aves como em humanos, para que as fontes de contaminação sejam identificadas e as providências sejam tomadas.

Esta zoonose é de controle difícil, pois os hospedeiros silvestres são reservatórios da infecção para o homem e outros animais, inclusive aves, sendo relatada em mais de 469 espécies de aves. Assim, um trabalho de conscientização, demonstrando que os psitacídeos constituem a principal fonte de contaminação, talvez pudesse reduzir os riscos de infecção, principalmente em humanos.

Quanto às aves de companhia, veterinários devem estar atentos não apenas a possíveis sinais clínicos, mas, também, ao conjunto epidemiológico que pode envolver o agente e seus hospedeiros e, portanto, suas condições assintomáticas, estando cientes de sua responsabilidade no tocante às questões de saúde pública e ecossistêmica.

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