ANO: 25 | Nº: 6399

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
16/01/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

É tempo de atualização

Assim como nos encantamos com o brilho e a luz de estrelas, que na verdade já não existem há muito tempo, trazemos em nosso íntimo inquietações por fatos que não fazem mais sentido ou estão há muito encerrados. Por vezes carregamos fardos de situações ou relacionamentos que a vida já se encarregou de resolver, porém ficou o hábito, incomodando como o membro fantasma do amputado. Da mesma forma uma crítica do passado molda nossa autoimagem por anos a fio, uma experiência bem sucedida pode funcionar como álibi para zona de conforto ou a arrogância de não ter mais nada a aprender.
Início do ano, planos, descanso, janeiro branco, cuidado com a saúde das emoções e de nossa mente. Hora ideal para atualizações, sim, tanto quanto computadores e celulares, é um bom momento para atualizar. Oportunidade ideal para jogar fora aquilo que não serve mais, banir do convívio as falsas relações, os jogos de interesse, a preguiça ruim, assumir sem vergonha nenhuma a boa preguicinha, aquela que ordena de vez em quando ficar em casa ouvindo música e curtindo um livro na companhia de quem se ama sem saber o que acontece no mundo. Pode também ser a hora de adotar mais empenho pelo que se acredita e dar menos importância ao que é só aparência, irrelevante.
Muitas vezes trocamos a foto de perfil, mas continuamos com uma imagem mental antiga sobre a vida, sobre os outros e, principalmente, sobre nós mesmos. Oportunidade interessante para atualizar a ideia que temos a nosso respeito, pontos em que crescemos, aprendemos, romper com o que nos agradava antes e agora não faz sentido; quais erros ainda insistimos em reincidir, ao que desejamos dizer não sem culpa e assumir ao que desejamos dizer sim com convicção.
Preocupa tanto o espaço ocupado na memória de nossos computadores, poderíamos igualmente dar atenção ao espaço que certas coisas estão tomando em nossa mente, nossa vida, nosso dia a dia. Se não estivéssemos ocupados com tantas bobagens, vaidades e mesquinharias, o que estaríamos fazendo? Construindo, vivendo, sentindo?


Voa um par de andorinhas fazendo verão.
E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas,
velhas cartas recebidas. Vontade de mudar de camisa,
por fora e por dentro... Vontade... para que esse pudor de certas palavras?...
Vontade de amar simplesmente.

Mário Quintana

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